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Os impactos na aposentadoria

01:30 | 09/11/2018

Pelas atuais regras da Previdência Social, a pessoa pode requerer a aposentadoria por idade (60 anos para mulheres e 65 para homens) ou por tempo de contribuição (30 anos para mulher e 35 para homem). Fernando de Holanda Barbosa Filho, pesquisador sênior da área de Economia Aplicada do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV IBRE),  estima em 54 anos a média de idade em que o brasileiro se aposenta.

O pesquisador classifica como "aposentadoria precoce" aquelas que são feitas antes da idade mínima e aponta que "se aposentar em condições de permanecer ativo no mercado de trabalho" é um dos fatores do rombo previdenciário atual.

Para o ele, o conjunto de pessoas que abandonam o mercado de trabalho tendo condições de continuar nele faz com que se perca recursos de economia que ao longo do tempo refletem no Produto Interno Bruto (PIB) em torno de 0,3% a 0,4%" por ano. "A principal questão geral de quem se aposenta e ainda está em condições de trabalhar é a perda do fator trabalho, é uma redução do produto potencial da economia e da nossa capacidade de crescimento", acredita.

Quem continua trabalhando tendo se aposentado antes dos 65 anos, sofre uma redução salarial de 30% a 80%, aponta estudo coordenado por Fernando. A redução é explicada, em parte, por mudanças de cargos dos profissionais que continuam trabalhando.

Para o economista Ricardo Coimbra "o idoso, pela renda da aposentadoria, está mais suscetível a aceitar postos com uma contribuição menor, o que gera menor impacto previdenciário. O jovem, em ascensão profissional, busca uma renda um pouco mais elevada - o que acaba por contribuir mais".

Por isso, Barbosa defende que o estabelecimento da regra de idade mínima de 65 anos para aposentadoria (como está prevista na proposta da Previdência parada no Congresso Nacional) poderia ajudar a diminuir o atual endividamento previdenciário.

Segundo Coimbra, a permanência no mercado de trabalho de pessoas idosas pode ter dois efeitos. "Um deles é que a pessoa volta a contribuir com a Previdência (no caso de empregos formais) sem a possibilidade de receber. 

Para o caixa previdenciário é interessante, porque ele vai ter uma arrecadação a mais. Por outro lado, com mais idosos trabalhando você dificulta a entrada de jovens, e diminui a contribuição que jovens poderiam dar ao caixa previdenciário", aponta.