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O que o Estado ganha se Ceará e Fortaleza estiverem na série A

Com Fortaleza e Ceará na principal categoria do futebol brasileiro, os clubes ganham. E o dinheiro que chega pode ser um trampolim para outros segmentos econômicos

01:30 | 01/10/2018

Um cenário ainda hipotético, mas promissor. Torcedores dos dois maiores clubes do Estado ainda aguardam somas de pontos e placares de jogos para saberem se, em 2019, verão seu time na Série A do Campeonato Brasileiro. 

 

Enquanto os resultados não são definidos, é preciso atenção para saber aproveitar, dentro e fora dos centros de treinamento, a oportunidade que poderá chegar. Economicamente, o futebol é lucrativo. Se juntarmos Nordeste, turismo, publicidade, comércio e emoção, o potencial financeiro é ainda maior. E talvez desconhecido.

 

Numa conta simples, consideremos que a primeira divisão possui 20 clubes. Caso o Ceará permaneça onde está e o Fortaleza avance uma casa na categoria futebolística do Brasil, o Estado deverá ser palco de, pelo menos, 38 jogos. Clubes de diversas regiões do País jogarão na Arena Castelão ou, eventualmente, no Presidente Vargas , ficarão hospedados na rede hoteleira alencarina, serão personagens de matérias televisivas que deverão explorar povo, cultura e geografia. As marcas originalmente cearenses ganharão espaço no uniforme de atletas, assim como na tela e na mente de quem talvez nunca mergulhou num mar quentinho.

 

"O esporte tem uma questão fundamental, que é mexer com o emocional de maneira intensa. E quando as pessoas estão emocionadas ficam propensas a fazer mais gastos. Torcer é um momento de catarse e essa conexão emocional pode gerar uma demanda econômica derivada", detalha a consultora em marketing e professora universitária Gal Kury. A especialista vislumbra várias possibilidades para que o futebol cearense seja um trampolim que atinja diversos segmentos econômicos.

 

As sugestões vão desde pratos promocionais em restaurantes nos dias de jogos a grifes de roupa vendendo o futebol junto à moda, adesivos para bicicletas, aplicativo de transporte que sirvam a torcedores daqui e de fora, presença de jogadores em eventos ou edição limitada de biscoito com escudo tricolor ou alvinegro. "Se falarmos em turismo, os jogos podem atrair pessoas do interior do Ceará, num movimento interno. Além dos torcedores de outros estados virem para cá, fortalezenses também viajarem para ver seu time, um turismo nacional", pondera Kury.

 

O impacto do futebol no fluxo comercial do Estado é direto. Estar na Série A é sinônimo de mais dinheiro indo para os clubes e saindo deles de diversas formas. "Com os clubes se estruturando e ganhando notoriedade, há mais capacidade de investimento. Dinheiro gera dinheiro. A exposição de marcas é um dos fatores mais importantes para a economia, porque se fomenta o crescimento empresarial", descreve o sócio da empresa de auditoria e consultoria financeira global, Rodrigo Albuquerque.

 

3ª via

 

O acesso à Série A aconteceu em 2017. Hoje, o Ceará está na 15ª colocação e ainda terá 11 jogos pela frente, nos quais precisa ganhar cerca de metade dos pontos disputados para se manter na elite.

 

Desde então, o contrato de direitos de transmissão pago pela Globo se tornou a maior fonte de receita do clube.

 

O programa de sócio-torcedor, após acesso, cresceu 100%: hoje tem cerca de 17 mil integrantes.

 

Com a permanência na Série A, o Ceará deverá ter uma receita estimada em R$ 60 milhões.

 

Com os louros de 2017, o clube conseguiu executar várias ações: trocou academia, ampliou o refeitório, fez obras no ginásio, comprou equipamentos médicos, construiu nova sala de imprensa

 

Além dos contratos com patrocinadores e redes de TV, o ganho com bilheteria também faz diferença na principal categoria do campeonato o time é o 9º em arrecadação bruta.

 

O clube tem cinco lojas oficiais.

 

Para 2019, a expectativa, na Primeira Divisão, é aumentar em até 30% a receita

 

"Na última vez que estivemos na Série A, em 2010 e 2011, tiramos muito proveito, como a consolidação da marca 'Sou Mais'. Se manter não é fácil, porque você joga com gigantes. Mas é preciso esforço, é uma oportunidade para estruturar o clube". (João Paulo Silva - diretor financeiro do Ceará)

SARA OLIVEIRA