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Viajar ficou mais caro e complicado

| BAGAGEM NOS AEROPORTOS | Mais de um ano após a Resolução que permite a cobrança, passageiros relatam dificuldades e especialistas discutem custos e direito do consumidor

01:31 | 07/08/2018

Em alguns meses, a viagem de férias pelo Brasil, de uma família com quatro pessoas, chega a um aumento de quase mil reais nos custos. Isso porque, hoje, serviços aéreos antes gratuitos passaram a ser pagos. Compra por cada bagagem despachada, pagamento por lanche e por marcação antecipada de assento. As cobranças mudaram o contexto aéreo do brasileiro e impactaram em diversas perspectivas: na hora de arrumar a mala, no planejamento financeiro, no comportamento social de quem viaja, na logística de embarque.

 

Tudo começou quando, em junho de 2017, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) aprovou a Resolução nº 400, desregulando as franquias de bagagem despachada. Cada uma das quatro empresas que executam voos nacionais poderiam, então, cobrar por malas que ultrapassassem 10 kg, limite de peso das bagagens de mão. O bolso do viajante sentiu sucessivamente os aumentos das taxas. Assim como as equipes de comissários de bordo responsáveis por organizar os voos. Viajar de avião ficou mais caro e complicado.

 

"Os voos estão muito tumultuados, porque tem muito mais gente carregando bagagem de mão. Eu sempre despacho minha mala, só viajo com a mochila. E mesmo assim me pedem para colocá-la embaixo das pernas, porque não tem mais espaço acima dos assentos. Eu preciso viajar todo apertado", reclama o representante comercial mineiro, Sidney Fidelis. Cada passageiro tem direito a levar consigo uma bagagem de mão e um artigo pessoal. É exatamente aí que a situação gera desconforto.

 

As consequências são: para não pagar pelo despacho, muita gente tem abusado na hora de arrumar a bagagem de mão. Excedem o limite de 10 kg, levam mochilas abarrotadas, e mais sacolas Os espaços destinados para armazená-las logo ficam preenchidos. Com isso, passageiros são obrigados a viajar longe de seus pertences, a organização da aeronave fica mais lenta e até o tempo para decolagem pode ser afetado. A Resolução, que conforme as empresas pode modernizar o segmento de transporte aéreo, às custas de adaptações ao consumidor, exige também adequação de oferta dos serviços, além de uma nova cultura sobre ser passageiro.

 

A não redução nos preços das passagens, que segundo a Anac exige "uma robusta série histórica de dados para que seja possível isolar, mediante realização de estudos, os efeitos das demais variáveis que afetam o setor", incomoda quem já está pagando mais caro. O coordenador de lavanderia Fábio Lopes Félix, 55, viaja a trabalho mensalmente e considera a cobrança de despacho justa, mas afirma que os preços precisam baixar efetivamente. "Tem muita gente que sempre conseguiu levar tudo na bagagem de mão. Então se eu tenho apenas uma bolsa, deveria pagar mais barato", opina.

 

Aéreas

 

A Abear, representante das companhias, afirma que a nova categoria de tarifa estaria refletindo a mudança das regras e representa maior liberdade de escolha.