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Bate-pronto com Ocimar Alavarse

01:30 | 12/07/2018

Ocimar Alavarse, professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FE-USP), onde coordena o Grupo de Estudos e Pesquisas em Avaliação Educacional (Gepave). Já foi Coordenador Pedagógico na Rede Municipal de Ensino de São Paulo.

O POVO - Diante do cenário de atraso no cumprimento das metas, como você avalia a efetividade do PNE?

Ocimar Alavarse - Não bastando algumas metas ousadas, ainda que necessárias para fazer uma sinalização para mudar a situação, o plano foi aprovado no final de um governo que depois deixou de existir. O acordo político articulado para aprovação se desfez. No caso do plano, embora algumas iniciativas dependam do Governo Federal, a maior parte depende dos governos estaduais e municipais. Como a educação escolar não existe sem a política, depende dessas decisões, arranjos de partidos. Com as eleições de 2016, um novo arranjo se formou. O novo governo federal desmontou algumas ações, como o Sinaebe (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica), que foi cancelado. Isso revela um quadro com dificuldades. Tudo indica  que um novo plano deve ser articulado. Os prazos têm que ser revistos para atingir as metas. Outra coisa que vai depender do novo governo, é a PEC do teto. A educação já não ocupa um lugar tão privilegiado no debate político. No Ceará, isso é uma exceção. O lugar que a educação ocupa no debate não é assim no Brasil.

OP - Quais são os principais entraves?

Ocimar - A educação escolar no Brasil tem muitas coisas que precisam ser feitas urgentemente, isso é um drama. A boa notícia é que da pré-escola até o ensino fundamental temos uma taxa líquida de matrícula alta. Creche e ensino médio, não. Porque a creche custa muito caro e está na mão nos municípios, que não têm recursos. Em São Paulo, são de 60 mil a 100 mil crianças cadastradas na fila e não tem vaga.  Hoje, quando a gente olha para a educação básica, nós temos desafios diferentes. No caso do fundamental, temos um gargalo nos anos finais. A tal reforma do ensino médio errou no foco. Se tivéssemos que escolher um gargalo, seria os anos finais do ensino fundamental, a meu ver. As taxas de aprovação não são elevadas. Temos uma concentração de esforços nesses segmentos.

OP - Qual seria a alternativa ?

Ocimar - A alternativa é uma unidade política em torno do cumprimento das metas do plano. Você vai ter que ter uma costura política para estabelecer esse acordo em torno do cumprimento das metas do plano. O plano tem que voltar para uma discussão e o fórum privilegiado para isso é Congresso Nacional. Temos um prefeito ou governador ou outro mostrando o que fez. A ideia de um plano nacional é passar por cima dessas diferenças. Aí como isso vai ser enfrentado depende das possibilidades.