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2.851 brasileiros presos pelo mundo

| PRISÃO INTERNACIONAL | Há cidadãos do Brasil detidos em 53 países, conforme balanço mais recente do Ministério das Relações Exteriores. Dados de 2013 a 2017 mostram a distribuição de crimes de brasileiros no exterior. O principal deles é o narcotráfico

01:30 | 18/07/2018
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Pelo mundo, o Ministério das Relações Exteriores acompanha e assiste brasileiros detidos no Exterior. O relatório sobre o tema que é emitido ano a ano, além das irregularidades formais de ingresso em outros países, ajuda a entender a movimentação e novas fronteiras do crime brasileiro. Para onde se expande e se articula o ilícito fora dos limites do território nacional. Nos dados até 31 de dezembro de 2017, havia 2.851 cidadãos brasileiros mantidos em unidades prisionais de 53 países. É a contagem mais atual. O tráfico e posse de drogas lideram as causas das prisões.


O monitoramento é feito nos cinco continentes por agentes da rede consular do Brasil, que envolve embaixadas, consulados e vice-consulados ou postos de representação. O total de presos brasileiros era até maior em 2013 (3.209 detidos em 58 países), foi semelhante em 2014 (2.791 em 61 países) e 2015 (2.732 em 60 países) e também esteve superior em 2016 (2.999 presos em 66 países). O levantamento do Itamaraty confirma os Estados Unidos puxando a lista das detenções brasileiras no exterior.


É uma liderança que se mantém desde 2013. Havia 534 presos do Brasil em xadrezes norte-americanos no fim de 2017.

Comparando com o dado mais atual, eram mais detidos em 2013 (726) e 2016 (728), menos em 2014 (406) e quase igual em 2015 (532). Porém, no país do presidente Donald Trump, que ampliou rigores na política de imigração, os brasileiros descobertos por portar drogas ou narcotráfico foram apenas seis indivíduos no ano passado. Lá, os que saem do Brasil se envolvem principalmente com irregularidades imigratórias. O relatório, no entanto, não aponta o quantitativo mais recente sobre estes casos.


Chama atenção o fator Paraguai, como O POVO descreveu na edição de ontem. Nos últimos três anos, foi o País onde houve a maior alta de brasileiros detidos pelo mundo. Já está na segunda posição em criminosos/detidos cidadãos do Brasil. Há 365 internos no sistema penitenciário vizinho. Nunca foram tantos daqui nas unidades prisionais paraguaias.


A associação é direta ao tráfico de drogas e armas e contrabando, segundo o levantamento. O Paraguai era só o quinto no ranking nos dois anos anteriores: 225 em 2015; 260 em 2016. Estava em terceiro em 2014(298), em quarto em 2013 (314). Ultrapassou Japão, Portugal e Espanha, que se revezavam no segundo lugar até então.


Entre os continentes, o brasileiro é mais detido na Europa (946 casos - 33,18% do total), mas o índice da América do Sul (896 – 31,43%) é próximo. Nos 18 países europeus e nos 11 sul-americanos com registros de prisões, o cidadão brasileiro se envolveu principalmente com episódios de tráfico e porte de drogas: 943 casos, sendo 415 prisões na Europa e 263 na América do Sul. Uma conta que se explica: o Velho Continente recebe grandes remessas da droga produzida no Cone Sul. Os portos e aeroportos do Brasil são a principal porta de saída dessas cargas ilícitas.


Mais brasileiros do que brasileiras foram mantidos presos no exterior nos últimos cinco anos. O ano de 2013 foi o que teve mais homens detidos. O de mais mulheres foi em 2016 (2.519).

O ano passado teve o registro de mais menores apreendidos (36). A América do Sul voltou a ter mais ocorrência de brasileiros presos em 2017 (798 pessoas, contra 588 na Europa), o que não acontecia desde 2014 (734, contra 666 em países europeus). Curiosamente, em 2013 o Itamaraty chegou a identificar 174 prisões de brasileiros como de gênero “não especificado”. Nos anos seguintes, passou a registrar ocorrências de “transgêneros” e, em 2017, nominou 26 casos envolvendo “LGBTs”.


O POVO chegou a pedir à assessoria de imprensa do Itamaraty que indicasse alguém do Ministério para explicar como sobre a elaboração dos dados, concluídos a cada fim de dezembro. A explicação dada, por email, foi que estavam “todos assoberbados com o tema dos menores nos EUA”.

Referência ao episódio em que quase 100 crianças brasileiras foram separadas dos pais em confinamentos distintos (abrigos e prisões, respectivamente), após tentativas de imigração das famílias no território americano. Em 2018, Trump reforçou a política de “tolerância zero” na fronteira. A situação irá revirar as estatísticas de brasileiros presos/detidos no relatório do Itamaraty ao final deste ano.

 

Principais Crimes

 

Narcotráfico e crimes relacionados a drogas


Homicídio


Estupro


Fraude/ estelionato


Violência doméstica


Tráfico de pessoas


Abuso sexual de menor


Tentativa de homicídio


Sequestro


Assalto


Irregularidade migratória

CLÁUDIO RIBEIRO

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