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Poder de Marcola em xeque?

01:30 | 05/06/2018

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O atentado a Gegê e Paca, mortos por irmãos de facção, seria uma cisão dentro do PCC? Na fronteira, a suspeita de que novos negócios da organização poderiam estar sendo tocados sem o consentimento do número 1, Marcos Willians Herbas Camacho, o “Marcola”. “Acredito que isso, a médio prazo, vai representar um racha interno na organização. De alguma maneira”, diz Lincoln Gakyia, promotor de Justiça em Presidente Venceslau (SP), cidade onde Marcola é mantido preso.


“Se o Marcola deu a ordem de fato, e acredito que ele tenha dado, essa ordem (para matar Gegê e Paca) está sendo contestada pelos integrantes que estão em outros locais. Porque não aceitaram a morte dos dois. Se ele não deu a ordem, de qualquer forma estaria com a autoridade arranhada. E se o Gegê cometeu traição, a autoridade foi desobedecida”, afirma o promotor.
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Nas regras do PCC, a ordem de executar um integrante passa por um “tribunal” interno – sempre sob o conhecimento de Marcola, o que estaria agora em dúvida, pelo que está descrito do caso. “A gente vai ter que aguardar como isso (o possível racha) vai se desenrolar. Marcola sempre foi autoridade máxima, desconheço que já tenha sido contestado. Vamos esperar mais”, comenta Gakyia.
 

No caso de Jorge Rafaat, a ordem para matar, segundo a investigação da Fiscalía (o Ministério Público paraguaio), partiu de Elton Leonel Rumich da Silva, o “Galã”. Seria o inimigo tentando ganhar terreno. Galã também é brasileiro e apontado como cacique do PCC naquele trecho da fronteira. Teria poder, influência, mas não posto de homem forte da cúpula – como Gegê ou Paca. A trama contra o Barão teria sido armada junto com outro traficante local, Jarvis Chimenes Pavão, que é detento no Paraguai.
 

Galã foi preso em 27 de fevereiro último, no Rio de Janeiro. Ele nega ter participado do plano contra Rafaat. Foi preso por uso de documento falso. Um ex-militar brasileiro, Sérgio Lima dos Santos, teria sido o homem que usou a metralhadora Ponto 50 no atentado a Rafaat. Foi descoberto alguns dias após o assassinato e está preso no Paraguai. Mesmo sem guerra declarada, o clima é de conflito bélico permanente. O inquérito que investiga as mortes de Gegê e Paca tem 13 indiciados. Pelo menos três nomes a mais seguem sob investigação. (Cláudio Ribeiro)

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