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"Fechamento de espaços é reflexo da falência do Estado"

01:30 | 11/06/2018

Coordenador do Laboratório de Estudos da Habitação (Leab) do Departamento de Arquitetura da Universidade Federal do Ceará (UFC), Renato Pequeno, afirma ser “injustificável” a privatização dos espaços públicos, sobretudo por ser uma prática proibida por lei. Ele considera, entretanto, que os motivos pelos quais as pessoas fecham as ruas são mais graves do que os impactos que a medida pode causar.


“Atitudes como essas são um reflexo da falência do Estado. Estão associadas aos problemas de segurança, ao aumento da desigualdade, à falta de investimento em educação. E isso desemboca nos bairros onde a desigualdade é maior, como a Sapiranga, Dunas, Papicu. Nas áreas onde há mais desigualdade e concentração de riqueza”, avalia.


Especialista em habitação e planejamento urbano, Pequeno critica ainda a falta de um controle e fiscalização que impeçam as privatizações, que contribuem, na avaliação dele, para a propagação de uma “cultura do medo”, em um cenário em que os moradores assumem custos do Estado.


“O papel da sociedade civil é exercer controle social e exigir que o Estado cumpra sua função, de dar segurança. Nosso papel não é assumir essa função. Se for assim, caminharemos para uma barbárie, porque o próximo passo é a população se armar. E se Estado é ausente em bairros como a Sapiranga, com o mercado imobiliário em alta, que dirá no Autran Nunes, no Bom Jardim”, completou. (Thiago Paiva)


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