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Falta articulação e agilidade na fronteira, diz promotor

01:30 | 05/06/2018

O promotor Lincoln Gakyia, de São Paulo, defende um “enfrentamento mais profissional” contra o PCC e todas as organizações criminosas disseminadas no Brasil e que articulam suas estruturas nas regiões de fronteira. Ele se queixa de que não há interlocução eficiente e rápida entre os países de fronteira. “Até existe, mas em nível diplomático, formal. Não chega na ponta, na questão das operações”.  

Desde 2005 como membro do Ministério Público, Gakyia conta ter visto o alastramento desproporcional da facção nascida em São Paulo no início dos anos 2000. Lembra quando, no seu primeiro ano no MP, o PCC mal ultrapassava o mapa de São Paulo. Hoje, a facção está presente em todos os Estados brasileiros. No Ceará, nas unidades prisionais, dos cerca de 18.600 internos, o PCC tem 3.200 membros – dados da Secretaria da Justiça e Cidadania do Ceará.
“Esse crescimento (do PCC) dificultou o combate ao narcotráfico.  

 

Tenho competência para agir no Estado e o crime não tem fronteiras. Eles agem em âmbito nacional e internacional”. Em Presidente Venceslau, Gakyia monitora nomes da cúpula da facção. Gegê do Mangue (Rogério Jeremias de Simone) e Paca (Fabiano Alves de Souza), chefes executados no Ceará em fevereiro deste ano, eram dois que tentava manter em seu radar.
 

Lincoln Gakyia é a favor de um mapeamento dos líderes de cada facção, dentro dos presídios e nas ruas. Nas penitenciárias, acredita que o isolamento dessas lideranças, sempre que possível, tem o melhor efeito sobre a ação dessas organizações. “A única coisa que eles temem é o isolamento”. No início deste ano, o promotor foi recebido em audiência pelo presidente Michel Temer, no Palácio do Planalto. “Expus essa necessidade urgente de melhorar o isolamento dos líderes. Não tô falando em toda população carcerária, mas o líder tem que ser isolado de forma mais eficiente, mais duradoura”. (Cláudio Ribeiro)

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