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Base minimiza saída de Parente; oposição cobra nova política

| PETROBRAS | O pedido de demissão do presidente da estatal ocorreu em meio à greve dos petroleiros que cobravam novo comando

01:30 | 02/06/2018


A base aliada do presidente Michel Temer (MDB) tentou minimizar a queda do ex-presidente da Petrobras, Pedro Parente — ocorrida depois da paralisação dos caminhoneiros e em meio a uma greve dos petroleiros — e disse que o pedido de demissão não foi causado por pressão externa. O nome do novo presidente da companhia foi anunciado ainda ontem. Trata-se de Ivan Monteiro. 

[SAIBAMAIS]
O deputado Geraldo Resende (PSDB-MS) declarou que “ele (Pedro Parente) já tinha demonstrado interesse em deixar” o posto mesmo antes das paralisações dos caminhoneiros, porque “achou que já tinha cumprido a tarefa principal que era erguer a Petrobras”.

Considerando a saída de Parente uma “grande perda” para a empresa, o tucano disse que a carta de demissão foi consequência dos convites que o ex-presidente tem recebido da iniciativa privada. “Com a expertise que tem, como um dos maiores economistas do País, ele deveria ter várias propostas para deixar a presidência da Petrobras”, supõe.

Um dos principais interlocutores de Temer no Congresso Nacional, deputado Beto Mansur (MDB-SP), disse ontem ao O POVO que a saída de Parente da condução da estatal já vinha sendo conversada com o Governo há alguns dias. Ele conta que não houve rompimento com o Planalto, mas que, nesse momento, é preciso que a nova gestão da estatal faça “parte do time do Governo”.
 

De acordo com o parlamentar, é “loucura” aumentar o preço da gasolina no momento de resfriamento de uma grave crise com os caminhoneiros pelo País. “Se você tem um problema hoje que é a política de combustíveis, e tem greve dos caminhoneiros, e ainda a política da Petrobras é aumentar o valor da gasolina, é loucura”, criticou.
 

Petroleiros, em greve deflagrada por 72 horas, tinham como uma das principais pautas a saída de Parente da presidência da companhia, além da mudança na política de preço. A Petrobras repassa diariamente a variação do câmbio para o consumidor brasileiro. Após as manifestações, o valor do óleo diesel, por exemplo, só poderá agora sofrer reajuste mensalmente.
 

A pressão da oposição, agora, é que a política de preço da estatal mude, assim como houve com a presidência da empresa. “(A demissão) Não resolveu o problema, porque a política de preços ainda não foi derrotada. Não pense que, com a saída do Parente, está resolvida a política de preços”, declarou o deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP).


A defesa do senador Humberto Costa (PT-PE) é que seja retomada a política de preços da época em que Dilma Rousseff (PT) presidia o País. “Essa saída foi fruto da pressão popular que aconteceu, mas não será suficiente se essa política de preço continuar. Nós do PT continuamos defendendo a nossa linha de que o aumento deveria  ser anualmente”, disse.
 

O novo presidente, Ivan Monteiro, é considerado um dos braços direitos do ex-presidente Aldemir Bendine. A expectativa é que a política adotada pelo ex-presidente seja mantida pelo governo Temer, que está a poucos meses do seu fim.

 

NÚMEROS


2
anos
e 11 dias foi o período em que Pedro Parente presidiu a Petrobras
 

10
bilhões
de reais é o valor estimado gerado com as negociações com os caminhoneiros 

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