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O perfil das vítimas de latrocínio no Ceará

| SEGURANÇA | Maioria dos assassinados em tentativa de roubo são homens, em Fortaleza, por meio de arma de fogo. Desde janeiro de 2015, Estado registra total de 256 casos

01:30 | 11/05/2018
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A morte do empresário Roberto Mamede Studart Soares, 54, assassinado no dia 23 de abril após reagir a uma tentativa de assalto no estacionamento de uma agência bancária na avenida Santos Dumont, foi o 15º latrocínio ocorrido no Ceará este ano. O caso representa o perfil geral das vítimas dos crimes de roubo (ou tentativa) seguido de morte observados nos últimos anos: homem, com menos de 60 anos, morto por meio de arma de fogo, e em Fortaleza.

[SAIBAMAIS] 

Segundo a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), o Estado teve registrados 256 crimes desse tipo desde janeiro de 2015. Uma média de 6,4 latrocínios por mês, se forem levados em conta os dados preliminares do órgão referentes a abril de 2018 (o balanço ainda não foi divulgado).


Os homens são grande maioria entre as vítimas. Nove em cada dez delas são do sexo masculino. Chama a atenção também o perfil etário. Dois terços do total de vítimas de latrocínio são homens entre 20 e 59 anos. Os que tinham entre 20 e 29 anos representam quase um quinto do número (veja quadro na página ao lado).

 

“Existe uma propensão maior nesse perfil das pessoas que tentam reagir. Homens mais jovens muitas vezes têm a falsa sensação de que têm o domínio da situação e acham que a reação pode ser uma boa resposta e não levam em consideração que o assaltante, por ter a arma de fogo na maioria das vezes, leva vantagem”, explica Renato Sérgio de Lima, diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

 

Betinho, como era chamado o diretor de Esportes Amadores e Olímpicos do Fortaleza Esporte Clube, foi morto com três tiros à queima-roupa. As armas de fogo são utilizadas em quatro de cada cinco latrocínios no Ceará. Ao todo, 206 situações de roubo acabaram em morte após o disparar de revólver ou pistola. Objetos perfuro-cortantes como facas e canivetes — armas brancas — constam em 8,5% dos latrocínios.


As três maiores cidades em população ocupam, como esperado, as primeiras posições na listagem do local das ocorrências. Fortaleza concentra o maior número, com 91 latrocínios registrados. É destacável a disparidade para Caucaia, segunda colocada, com 15. Ou seja, um sexto da Capital. Maracanaú vem na sequência, com dez. Somados, os municípios da Região Metropolitana compõem maioria absoluta dos latrocínios do Estado desde 2015 (134 ocorrências ou 52%). No Interior, os maiores municípios também são os que tiveram mais latrocínios: Sobral, com nove, e Juazeiro do Norte, com sete.


Embora tenha visto no último ano explodir o número de homicídios, com 5.133 assassinatos, o Ceará tem dados de latrocínio abaixo da média nacional. Segundo o levantamento publicado no 11º Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que usa dados de 2016, o Estado teve um latrocínio para cada 100.000 habitantes, enquanto o Brasil tem uma taxa de 1,2. O Ceará teve o 7º melhor desempenho proporcional à população do País e o 2º do Nordeste, atrás apenas da Paraíba.


Os dados preliminares da SSPDS até abril apontam ainda para uma redução de 40% dos latrocínios. Nos quatro primeiros meses de 2017 foram registrados 25 casos, cinco a menos que 2016, sendo que os dois últimos anos foram os que tiveram mais situações de roubo seguido de morte. Não por coincidência, a diminuição é acompanhada por um menor número de roubos. O número de assaltos nos três primeiros meses deste ano caiu 8,38% em relação ao mesmo período do ano passado.


Renato Sérgio de Lima avalia que o Ceará tem feito o “dever de casa” em termos de políticas públicas para diminuição dos latrocínios. “O Governo investiu em programas como o Ceará Pacífico e o Em Defesa da Vida e é necessário acreditar e ter continuidade nos investimentos. É um trabalho que exige perseverança e modernização das instituições para que se aproximem da comunidade”, analisa.


E conclui: “Latrocínios são crimes cometidos com armas leves, de fabricação nacional. É o trabalho de rastreamento. Não adianta trabalhar na emergência. É preciso inteligência criminal, não no sentido de arapongagem, mas de análise, para entender esses crimes e evitá-los”.

 

 

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Foi o número de latrocínios registrados no brasil em 2016, segundo o anuário do fórum brasileiro de segurança pública

JOÃO MARCELO SENA

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