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O fator Audic e os riscos da ampla aliança em torno de Camilo Santana

| ALIANÇA CAMILISTA | O enorme arco de aliança pode ser um problema a ser administrado pelo governador Camilo Santana. As primeiras insatisfações já são realidade

01:30 | 24/05/2018

No dia 21 de dezembro de 2016, a Assembleia Legislativa do Ceará (AL-CE) aprovava uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), de autoria do deputado estadual Heitor Férrer (SD), que extinguia o Tribunal de Contas dos Municípios pela primeira vez.


A data coincide com o primeiro movimento do deputado então oposicionista ao Governo, Audic Mota (PSB), de votar com a base de Camilo Santana (PT) em uma pauta polêmica e eivada de questionamentos judiciais.


A disputa política no município de Tauá, entre Audic Mota e Domingos Filho (PSD) — que presidia a Corte de contas e que também integrava a oposição —, foi ingrediente que definiu o start para a mudança de lado do peemedebista, à época.


Meses depois, Audic chegou a declarar ao O POVO, com certo orgulho, que já dançava a valsa do Governo antes mesmo de Eunício Oliveira (MDB) imbicar para o outro lado.

 

A segunda batalha que já colocava Audic nas fileiras do Governo foi a votação para a Mesa Diretora da Assembleia Legislativa, que reelegeu Zezinho Albuquerque (PDT) presidente da Casa. Mota, dessa vez, foi eleito primeiro secretário.


Era uma consequência do apoio ao Governo na batalha da extinção do TCM. Estavam sacramentados, a partir daí, os primeiros passos para o enfraquecimento da oposição. Logo depois, Eunício Oliveira e o resto do MDB iniciaram as tratativas com o Palácio da Abolição.


Nos últimos dias, com a reviravolta de adesões à base aliada de Camilo para a eleição que se aproxima, Audic, que aderiu ao PSB no período da janela partidária, está sendo obrigado a conviver do mesmo lado do rival Domingos Filho, em apoio ao camilismo na disputa majoritária de outubro.


Nos bastidores, O POVO apurou que o parlamentar está insatisfeito por ter que dividir as atenções do Palácio da Abolição com um adversário político local. Domingos Filho conta com o apoio de 19 prefeituras. Apesar da insatisfação, fontes ligadas ao parlamentar afirmam que Audic não pretende deixar as fileiras governistas.


A reportagem procurou o deputado, mas as chamadas telefônicas não foram atendidas e as mensagens não foram respondidas.


É o primeiro sinal de descontentamento no Governo com as últimas alocações da aliança, que pode ser a maior da história do Ceará, caso se confirme durante a oficialização da candidatura de Camilo.


Na edição de ontem, o vice-líder do Governo, deputado José Sarto (PDT), já havia admitido o risco e a necessidade de administração de disputas locais em que o governador terá o apoio dos dois lados.


Procurada, a oposição disse que está de braços abertos para conversar com quem quiser seguir o projeto opositor ao grupo liderado pelos irmãos Ferreira Gomes. O presidente do PSDB no Ceará, Francini Guedes, afirmou que se “ele (Audic) procurar, a gente conversa”.

 

Já o deputado estadual Odilon Aguiar (PSD), que era um dos resistentes opositores a Camilo na AL-CE, disse ao O POVO que vai obedecer a nova posição do partido e trabalhar na base aliada do governo petista.


O deputado disse ainda que nada vai mudar no município de Tauá, terra dele, quanto às posições políticas. “Continuamos fazendo oposição ao prefeito Carlos Windson (ligado a Audic). Não muda nada”, garantiu.

 

Frases

 

Genecias Noronha (SD)

"O Camilo [Santana] é gente boa, mas como governador está deixando a desejar” 11/10/2017

“Tenho parceria com 16 prefeitos, e metade já sinalizava com o governador”, 23/5/2018 

WAGNER MENDES

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