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Latrocínio assusta mais por ser imponderável, dizem especialistas

01:30 | 11/05/2018

O caso de Betinho Studart, diretor do Fortaleza, morto quando saía do banco. O caso da estagiária do Ministério Público, Cecília Moura, assassinada quando ia ao trabalho. Apenas dois exemplos de latrocínios que ocorreram no Ceará em abril. Duas situações em que os crimes geraram discussão na sociedade e ganharam repercussão na imprensa. Muito disso em razão de terem sido situações que poderiam ter ocorrido com qualquer pessoa.


Para Ricardo Moura, colunista do O POVO e pesquisador do Laboratório de Estudos da Conflitualidade e da Violência (Covio) da Universidade Estadual do Ceará (Uece), esse tipo de crime gera mais impacto nas pessoas justamente pela identificação que elas têm com a vítima. “O latrocínio é um crime mais próximo das pessoas. Ele afeta mais. Não aqui no Ceará, mas o homicídio, via de regra, é um evento raro. Quando uma pessoa é assaltada e morta aproxima mais as pessoas da realidade. Há uma maior identificação com a vítima e uma maior repercussão”.


Renato Sérgio de Lima, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, corrobora com a ideia do “imponderável” no latrocínio, que faz de qualquer um potencial vítima. “Os homicídios, em geral, ocorrem entre pessoas conhecidas. No latrocínio, qualquer pessoa está sujeita a ser vítima. É o imponderável. E por isso acaba assustando muito mais e repercutindo com mais força. É um tipo de crime que não escolhe idade ou sexo”.

GABRIELLE ZARANZA

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