VERSÃO IMPRESSA

Procura por vacinas para gripe H1N1 aumenta e Ceará deve receber 2 milhões de doses na segunda

Procura por vacinas aumenta poucos dias antes do início da campanha de imunização contra a gripe. Secretaria da Saúde do Estado confirma oito casos graves e três mortes pela doença

01:30 | 18/04/2018


Teve engarrafamento no entorno de clínica particular de imunização. Em outras, a vacina contra a Influenza H1N1 já tinha acabado. Nas redes sociais, notícias e lamentos sobre crianças e adultos infectados. É o medo de uma gripe. Médicos infectologistas alertam: é preciso atenção, principalmente em relação aos grupos de pessoas mais suscetíveis a se infectar. Mas isso não significa pânico.


A partir de segunda-feira, 23, dois milhões de doses da vacina deverão ser distribuídas no Estado. A iniciativa chega um pouco tarde, considerando que casos da doença já começaram a ser registrados. O médico do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), José Cerbino Neto, explica: “A vigilância da doença e o parque industrial que produz as cepas de imunização não estão adaptados aos padrões sazonais de regiões tropicais. Vem se tentando reduzir essa diferença de abordagem. A OMS (Organização Mundial da Saúde) já separa, inclusive, os padrões de circulação”. 


Esse atraso, conforme o especialista, impacta até na eficácia da vacina, pois o vírus da Influenza, que tem como um subtipo o H1N1, é extremamente mutável. “O ruim disso é que temos situações em que a vacina é calibrada para aquele ano, para o vírus circulando naquele momento, e a vacina chega depois que ele já está circulando”.
 

O médico, porém, garante que as doses que serão ofertadas aos grupos de maior vulnerabilidade — determinada pela capacidade de resposta do sistema imunológico — cobrem todos os subtipos em circulação no País e já foram adaptadas de acordo com as últimas mutações identificadas. “Todo ano temos pequenas mudanças no vírus, o que faz com que seja necessário modificar a vacina”.
 

Ontem, a Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) divulgou a primeira nota técnica sobre a gripe este ano. Conforme o documento, até 14 de abril, oito dos 75 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) — um tipo de pneumonia — foram causados por Influenza (sete pelo tipo H1N1 e um pelo tipo Influenza B). Houve três óbitos.
 

Na última segunda-feira, 16, informações da célula de Atenção Primária da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) davam conta de que a Capital havia registrado 30 casos de H1N1. A assessoria de comunicação da pasta esclareceu que, na verdade, o número se refere a casos em que exames de amostragem apontaram a presença do vírus, mas não necessariamente houve manifestação da SRAG.
 

O infectologista Robério Leite alerta que, mesmo à espera de resultado de exame laboratorial (que demora alguns dias para ser concluído), a orientação é tratar como Influenza caso sinais de alerta sejam identificados.
 

Conforme o médico, muitas pessoas podem ter a Influenza e nem identificá-la. “O espectro da doença é muito grande, vai desde casos leves aos de extrema gravidade. A maioria das pessoas nunca vai saber que teve. Não conseguiremos saber realmente quantas pessoas foram infectadas. Sintomas moderados e o extremo são mais raros de acontecer”. (Colaborou João Marcelo Sena)

 

INDICAÇÕES PARA IMUNIZAÇÃO

 

GRIPE A/H1N1 = INFLUENZA 

 

TIPO A = GRIPE SUÍNA 

 

Uma das principais características é a capacidade de mutação genética do vírus. 

 

O espectro do vírus é grande, então pode haver casos leves (e até assintomáticos) ou mesmo de extrema gravidade. 

 

No mundo, as infecções começaram entre 2009 e 2010.

 

GRUPOS MAIS VULNERÁVEIS

 

Crianças menores de dois anos (por não terem o sistema imunológico totalmente formado);

 

Gestantes (há modificação da resposta imune) ;

 

Idosos (em decorrência do envelhecimento do sistema imunológico);

 

Pessoas que possuem imunossupressão por alguma doença. 

 

OUTROS DOIS SUBTIPOS QUE PODEM ESTAR EM CIRCULAÇÃO

 

H3N2 e Influenza Tipo B.

 

Os subtipos têm características de composição genética diferentes.

 

Em termos de virulência, qualquer um pode causar doença grave, mas o tipo B tende a ser mais ameno.

 

O Ministério da Saúde emitiu nota garantindo que não há circulação do subtipo H2N3 no Brasil. 

 

IMUNIZAÇÃO 

 

A vacina disponível cobre os três subtipos (H1N1, H1N1 tipo B e H3N2). Porém, ela tem maior eficácia para o H1N1.

 

A duração da imunização é em torno de um ano. O melhor período de imunidade contra a doença é após um mês até o quinto mês.

 

Para elaboração da vacina a OMS recolhe amostras dos vírus Influenza em todo o mundo e aponta quais os tipos estão mais aptos a circular.

 

Os principais efeitos colaterais da vacina são dor local e febre baixa.

 

A vacina é contraindicada nos casos de febre alta (acima de 39ºC) e doenças ou remédios que alterem a imunidade. 

 

Para quem está fazendo uso de corticoide, a vacinação precisa ser orientada pelo médico.

 

TRANSMISSÃO 

 

Um adulto transmite o vírus, em média, durante sete dias. Uma criança transmite, em média, durante 10 a 14 dias.

 

A doença pode ser transmitida através de tosse ou espirro de pessoas infectadas. Pode haver infecção pelo toque em objetos contaminados .

 

O vírus vive por duas a oito horas em superfícies.

 

Quem teve a doença uma vez pode ter novamente. E quem foi vacinado, também.   

 

TELEFONE

 

Em poucos minutos na sala da coordenação do posto de saúde Paulo Marcelo, no Centro, o telefone tocou três vezes. Em todas, as pessoas buscavam informações sobre quando a vacina estaria disponível

no local.   

 

92 POSTOS

 

Coordenadora-adjunta do Paulo Marcelo, Mazé Carvalho afirma que a procura tem aumentado bastante no local, mas que a vacina chega apenas no final de abril nos 92 postos da Capital. Ela lembra que no dia 12/5 haverá o Dia D de vacinação.   

 

HRU

 

No Hospital Regional da Unimed (HRU), até 17 de abril, 23 pacientes foram internados e três casos de Influenza foram confirmados, segundo resultado dos exames laboratoriais realizados: dois H1N1 e um H3N2.   

 

LACEN

 

O POVO solicitou ainda dados à assessoria do Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen) para ter acesso à quantidade de exames realizados

para identificação da doença. Até o fechamento desta edição, não houve resposta.  

 

IDENTIFICAR, TRATAR E PREVENIR

 

GRIPE X RESFRIADO 

 

O maior diferencial é a ocorrência de febre. A gripe é causada pelo vírus Influenza, que pode ser dos tipos A, B e C. Os do tipo A possuem maior variabilidade genética (H1N1, H3N2, H2N3 e H5N1). Os resfriados são provocados por outros tipos de vírus, como o rhinovírus e o vírus sincicial respiratório (VSR).

 

SINTOMAS DA INFLUENZA

 

Coriza, moleza no corpo, tosse ou dor de garganta e dor de cabeça. A gripe pode gerar ainda dor muscular, nas articulações e febre alta (39ºC) de início súbito.

 

Em crianças, deve-se observar: os batimentos de asa de nariz (alargamento e abertura das narinas durante a respiração), se há cor azul-arroxeada nas extremidades do corpo, desidratação e falta de apetite.

 

SINAIS DE GRAVIDADE 

 

Desconforto respiratório, palidez e abatimento repentinos, suor frio e dor muscular.

 

A evolução dos sintomas mais graves acontece em, no máximo, 48 horas. Nas crianças, a parte inicial, de moleza e febre alta, aponta os sinais de alerta.

 

O vírus da gripe abre portas para bactérias que atacam o trato respiratório.

 

TRATAMENTO 

 

Hidratação, controle da temperatura, medicação antiviral.

 

MEDICAÇÃO 

 

O antiviral utilizado é o Tamiflu (Osetalmivir), que atua no controle da replicação do vírus e tem maior eficácia nas primeiras 48 horas após os sintomas iniciais. Ele pode ocasionar efeitos como náusea, vômito e diarreia. Hoje, só está disponível do Hospital São José (HSJ). A dosagem é de uma cápsula, duas vezes ao dia, durante cinco dias.

 

PREVENÇÃO 

 

Evitar manter contato próximo com pessoa que esteja infectada;

 

Lavar sempre as mãos com água e sabão e evitar levar as mãos ao rosto e à boca;

 

Sempre que possível, ter consigo frasco com álcool em gel para garantir que as mãos sempre estejam esterilizadas;

 

Manter hábitos saudáveis, alimentar-se bem e beber bastante água;

 

Não compartilhar utensílios de uso pessoal, como toalhas, copos, talheres e travesseiros;

 

Caso haja indicação, utilizar uma máscara para proteger-se de gotículas infectadas que possam estar no ar;

 

Evitar frequentar locais fechados ou com muitas pessoas;

 

Ensinar as crianças a espirrar e tossir colocando a boca no cotovelo e não na mão.   

 

PREÇO

 

Uma vacina que cobre o H1N1 e outros três subtipos virais custa R$140 em uma clínica particular de imunização na Aldeota. A procura lotou o local e gerou congestionamentos no entorno na tarde de ontem.  

 

ESTOQUE 

 

João Cláudio Jacó, diretor médico da clínica, garante ter estoque suficiente para 20 dias de grande procura como ontem, quando cerca de 600 pessoas retiraram senhas para se vacinar. A clínica chegou a abrir excepcionalmente no domingo, 15, para atender a demanda.   

 

ESPERA

 

Com 34 semanas de gravidez, a nutricionista Rafaela Sousa, 35, esperou cerca de duas horas pela vacina em uma clínica particular para ela e para a filha Júlia, 8. “Não imaginava que ia estar tão lotado. Vi nos grupos de whatsapp que tinha aumentado o número de casos”, afirma.   

 

TRÊS HORAS

 

A dentista Rachel Teixeira, 46, levou os filhos Davi, 16, e Beatriz, 14, para se vacinarem. “Foram quase três horas esperando. Mas é uma forma de ter mais segurança quanto à doença”, explica.

TAGS