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O golpe de Temer nos senadores

01:30 | 24/04/2018

Para ficar na linguagem que é própria ao momento, o governo Temer aplicou um golpe em quem acreditou naquela história de que reporia os excessos da reforma trabalhista através de uma Medida Provisória, desde que o Senado aceitasse assumir um papel secundário e ridículo numa estrutura de poder político que deveria funcionar de maneira harmônica, mas independente. Até mais independente do que harmônico. Agora, quer saber, é muito bem feito que os senadores percebam que foram feitos de tolos pelos articuladores do Palácio do Planalto.


Vale relembrar: os senadores aceitaram abrir mão do papel de revisores que a Constituição lhes conferiu, aprovando sem alteração o texto que chegara da Câmara. Assim, garantiram que a tramitação da matéria não tivesse atraso, com o texto seguindo direto à sanção presidencial. Em contrapartida, Temer garantiu encaminhar Medida Provisória contendo todos os pontos que o Senado gostaria de ver alterados no projeto. Coisa que até fez, mas não moveu um só músculo para mobilizar sua base pela aprovação do texto em 4 meses, o que seria necessário à sua entrada em vigência definitiva.


O resultado da brincadeira é que a partir de hoje a MP perdeu validade e as mudanças que os senadores gostariam de fazer, e não o fizeram para atender estratégia do Executivo, viraram água. Uma boa lição que fica do que representa um poder abrir mão de suas prerrogativas, mas, imagino, será ainda mais pedagógica se o eleitor, vítima final da comédia política da vez, souber pesar no tempo certo o episódio que expôs parlamentares que não conseguem defender o mandato para o qual foram eleitos e muito menos o Poder que deveriam representar.


GUÁLTER GEORGE

gualter@opovo.com.br

GABRIELLE ZARANZA

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