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Jardim, tentativa de humanizar a indignidade

01:30 | 23/04/2018
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Na rua Joaquim Deodato, no Centro, próximo ao cruzamento com a rua Dona Leopoldina, é possível ver pelo menos três barracos montados. Um deles chama mais atenção porque, além de uma sala improvisada com sofá, cadeiras e mesa, há plantas que se transformam em jardim na calçada. O lar inventado por Claudio Gonçalves, 48, não é nem de longe o lugar onde gostaria de estar, mas é uma tentativa clara de humanizar a indignidade.


Ao lado da esposa Sandra Gonçalves, eles começaram a morar na rua há um ano, quando perderam a casa que tinham no Conjunto Esperança. “Coisa da dependência”, disse, sem querer explicar mais sobre o assunto. Há 10 anos ele veio de Minas Gerais para Fortaleza, para ajudar a irmã, mas atualmente não tem mais contato com a familiar.


Os oito filhos ficaram na terra natal e a lembrança do lugar chega inundando o peito de angústia. “Estão em Minas e em São Paulo. Eu também poderia estar lá (em MG), mas não tenho como ir”, se emociona. Ele fala pouco sobre a vida no barraco, diz que tem medo das facções, conta que não está inscrito em nenhum programa social apesar de já ter recebido visitas de pessoas da Prefeitura. “Eles já vieram aqui, mas até agora nada.”

 

GABRIELLE ZARANZA

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