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Asa do xavante se partiu "como folha de papel"

01:30 | 09/04/2018

Com base no depoimento do sargento Walter Almeida, o Inquérito Policial Militar (IMP) concluiu que a fratura na asa do xavante se deu por “cisalhamento”. O termo se refere a tensões aplicadas sobre uma superfície no sentido transversal – como ocorre com as lâminas de uma tesoura. Engenheiros ouvidos pela reportagem explicam que, se de fato houve cisalhamento, a asa do xavante “foi cortada como uma folha de papel”.


O encarregado pelo IPM, major Sérgio de Matos Mello, confirmou no relatório final a hipótese de cisalhamento. Segundo ele, “a asa não se soltou dos seus pinos de fixação, pois o local do cisalhamento estava laminado”. O major concluiu que “a asa partiu-se em algum ponto acima da porta do trem de pouso e antes do encaixe dos pinos de fixação na fuselagem”. Mas destacou que, como os destroços da aeronave nunca foram recuperados, “o fator conclusivo pelo qual a asa se partiu em voo fica no campo das hipóteses”.


Como O POVO publicou nas reportagens desta série (edições de 2 e 3 abril), documentos mantidos em sigilo pelo Comando da Aeronáutica indicam que os xavantes apresentavam risco de trincas nas asas. Com elevado grau de fadiga, o FAB 4626 deveria ter sido recolhido para a inspeção de “corrosões”, “fissuras” e “rachaduras”. Mas a Força Aérea Brasileira (FAB) contrariou a determinação da fabricante Aermacchi e manteve o caça em operação. Um relatório do Centro Técnico Aeroespacial (CTA) também alertou para o crescimento de trincas nas asas da aeronaves, mas sugeriu a expansão da vida útil dos xavantes além do limite imposto pela fabricante.


GABRIELLE ZARANZA

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