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Investigação não revela como o piloto Alexandro Prado ejetou

01:30 | 17/04/2018

O Inquérito Policial Militar (IPM) instaurado pela Base Aérea de Fortaleza não revela como o tenente Alexandro Prado comandou a ejeção do xavante que caiu no litoral cearense. O relatório final do IPM menciona apenas que ele “ejetou-se algum tempo depois” do copiloto, o tenente Ricardo Beviláqua. Mas documentos obtidos pelo O POVO oferecem duas hipóteses para explicar por que o piloto só abandonou o cockpit quando o caça já rodopiava sem controle em direção ao mar.  

A primeira hipótese — revelada nesta série, em reportagem publicada no dia 10 de abril — é de que Alexandro Prado tenha tentado acionar a alça superior do assento ejetável. Como estava submetido a uma força gravitacional extrema, o piloto pode ter tido dificuldade para alcançar o mecanismo acima da cabeça. Esse cenário foi cogitado pelo médico do Esquadrão Pacau, o então tenente Max Cosendey Toledo, em depoimento à Justiça em 2004. “Nas condições específicas do acidente, em que a aludida aeronave girava em queda livre sobre o próprio eixo, rodopiando, (isso) explicaria o retardo na ejeção”.  

A segunda hipótese é de que Alexandro Prado tenha tentado ejetar a partir da alça auxiliar, localizada entre as pernas. A Martin-Baker, empresa que fabrica os assentos MK4, orienta o uso do punho inferior “quando a aceleração é muito alta” — exatamente o caso do caça 4626, que girava em parafuso.  

 

Entretanto, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) concluiu que “diversos assentos” instalados nos xavantes exigiam uma força de acionamento “acima do máximo previsto pelo fabricante”. Isso poderia ter dificultado a ejeção do piloto. 

Apesar dos indícios que apontam para “deficiências” no mecanismo de ejeção, o Cenipa sugeriu em 2005 que a morte de Alexandro Prado ocorreu por “culpa exclusiva da vítima”. Uma Informação Jurídica emitida pelo órgão reconhece que uma “falha da aeronave provocou a soltura da asa” em pleno voo. Mas argumenta que “o evento morte não foi uma consequência direta do problema na asa”. “Se o piloto (Alexandro Prado) tivesse ejetado no momento em que recebeu a ordem para ejeção ainda estaria vivo, a exemplo do copiloto (Ricardo Beviláqua)”, diz o texto. O documento não faz qualquer referência ao fato de que o próprio Cenipa já havia identificado problemas com assentos ejetáveis dos xavantes. (Dante Accioly)