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Empresas vendiam "da bomba ao palito de fósforo", diz procuradora

| ENTREVISTA | Coordenadora da Procuradoria dos Crimes contra a Administração Pública (Procap), Vanja Fontenele destaca que, mesmo sem estrutura, empresas conquistavam grandes e variadas licitações

01:30 | 24/03/2018

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Coordenadora da Procuradoria dos Crimes contra a Administração Pública, Vanja Fontenele conversou com O POVO sobre a deflagração da 2ª etapa da Operação Cascalho do Mar.
 

Durante a conversa, a procuradora detalhou nuances do caso e falou sobre possíveis desdobramentos da ação em gestões municipais. Confira alguns trechos da entrevista. (Carlos Mazza)
 

O POVO: Como funcionava o suposto esquema?
 

Vanja Fonenele: Esses acusados que foram presos se diziam empresários e a vida deles é participar de licitações. Em alguns casos, eles aparecem como proprietários das empresas, enquanto em outros fica no nome de laranjas. Mas a gente conseguia, quando ia ver quem eram os procuradores dessas outras empresas, ver que eles estavam lá também. E aí quando você pega a informação dessas empresas e vai atrás, e nesses casos semelhantes eu costumo brincar que elas vendem “da bomba atômica ao palito de fósforo”, aí você vai atrás e ela não tem um funcionário. Não tem uma bicicleta sequer no nome dela, mas está oferecendo todo tipo de serviço. Em um dos casos o endereço era um beco, em uma favela de Fortaleza.


O POVO: Qual o valor dos contratos investigados?
 

Vanja Fonenele: A gente até fez esse levantamento, mas não quer divulgar ainda porque, apesar de a nossa investigação levantar a expectativa de que todos esses contratos são fraudados, nós precisamos ter a certeza, não só jogar o valor total.


O POVO: Em quais prefeituras eles atuavam?
 

Vanja Fonenele: Nesse caso, estamos em fase de investigação. Na época de Paracuru já encontramos, apresentamos as denúncias criminais. Agora temos indícios, inclusive em outros municípios, vários, mas por uma questão da investigação, de preservação, não vamos divulgar, vai depender dos desdobramentos. Mas são vários municípios, quase vinte. Nesses, já identificamos a participação dessas empresas em várias licitações, mas não sabemos ainda se a participação tem o mesmo modelo de fraude. Ou pode nem ter fraude nesses casos, é o que agora vai ser investigado pela Procap.
 

O POVO: Quais os principais serviços que essas empresas prestavam?
 

Vanja Fonenele: Era todo tipo de serviço, mas eles atuavam principalmente em transporte escolar, coleta de resíduos sólidos e locação de veículos para prefeituras. Era nessas três atividades que estava o eixo principal.

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