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Chacina: Homem preso é acusado de outro homicídio na Gentilândia

| PROCESSOS | Douglas Matias da Silva é apontado na morte de um jovem de 18 anos na praça da Gentilândia. Também é acusado do roubo de uma picape. Os casos são de 2017

01:30 | 13/03/2018

PRAÇA da Gentilândia foi um dos três locais da chacina  AURÉLIO ALVES/ ESPECIAL PARA O POVO
PRAÇA da Gentilândia foi um dos três locais da chacina AURÉLIO ALVES/ ESPECIAL PARA O POVO
Quando foi preso, na noite do último sábado, escondido dentro de um quarto no apartamento da namorada fisioterapeuta, no bairro Meireles, Douglas Matias da Silva, de 25 anos, negou de imediato aos policiais da Divisão de Combate ao Tráfico de Drogas (DCTD) sua participação como um dos executores da Chacina no Benfica. Tentou se livrar apresentando documentação falsa. Usava o nome “Alexandre Garcia”. Seu nome verdadeiro, no entanto, quando checado, confirmou antecedentes criminais graves. Douglas responde judicialmente por outro homicídio e por um caso de roubo. O caso do assassinato, inclusive, traz coincidências com o episódio da chacina da última sexta-feira (10).

Douglas é acusado de ter matado o jovem Guilherme Renan Alves Figueiredo Delane, de 18 anos. O caso aconteceu numa virada de sexta para sábado, nas primeiras horas do dia 5 de agosto do ano passado. Foram três tiros na região abdominal da vítima. A semelhança principal: a execução à época também foi dentro de um bar nas proximidades da pracinha da Gentilândia (rua Paulino Nogueira).  

Foi na praça onde três das sete pessoas acabaram executadas na Chacina do Benfica. Os outros ponto da matança do último fim de semana foram a Vila Demétrio e a rua Joaquim Magalhães. O processo pela morte de Guilherme Renan tramita na 4ª Vara do Júri. Desde o episódio, com mandado de prisão em aberto, Douglas Matias da Silva era dado como foragido. Quando descoberto na noite de sábado, um dia depois da chacina, Douglas fez um pedido aos policiais. Que avisassem à sua mãe, com quem não falava havia alguns meses, que ele acabara de ser preso.  

Do processo por roubo, Douglas é apontado com outros dois homens pelo assalto a uma picape Hilux, no dia 18 de outubro de 2017, no bairro José Bonifácio. Ele seria o motorista do Palio branco usado pelo grupo quando abordaram a vítima, uma mulher. A picape era rastreada, o que ajudou na identificação do trio de assaltantes.  

O processo contra Douglas foi desmembrado da ação contra os outros dois acusados. Ao longo do trâmite, ele também esteve foragido. Não foi localizado no endereço informado. A família dele hoje mora na divisa entre o bairro José Bonifácio e Fátima. O Palio branco usado no assalto à Hilux era de um cunhado de Douglas. Ele havia pedido emprestado o veículo informando que iria trabalhar como motorista de aplicativo. A delação de Douglas neste crime teria sido feita pelos próprios familiares. Ontem, no início da tarde, foi agendada a Audiência de Custódia de Douglas Matias. Será na próxima quinta-feira. Ainda ontem, o nome de Douglas foi inserido, no site do Tribunal de Justiça, na ação penal relativa à chacina. É acusado por homicídio qualificado, apreensão de arma e resistência à prisão. Na noite em que foi localizado, Douglas tentou fugir dos policiais. Chegou inclusive a jogar pela janela do apartamento a pistola Ponto 40 e escondeu o celular. Acabou rendido e a arma encontrada. Douglas Matias da Silva aparece no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica como proprietário da empresa Douglas Motoboy. Oferecia serviços de entrega rápida. O endereço registrado é o mesmo da residência dos pais dele. (Colaboraram Henrique Araújo e Thiago Paiva)

CLáUDIO RIBEIRO