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Relutei até onde pude, diz promotor que passou a receber benefício

01:30 | 26/02/2018

O promotor de justiça Eloilson Landim, que atua no Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) do Ministério Público do Estado (MPCE), é contrário ao auxílio-moradia. Ele chegou a propor um manifesto com uma recusa expressa dos promotores ao benefício, mas, vencido pela situação econômica difícil do País, passou a recebê-lo no início do ano passado.


“Relutei até onde pude, mas cedi às circunstâncias. Eu tenho quatro filhos, e minha esposa não é rica. Meu salário líquido não ultrapassa R$ 20 mil, o que não é nenhuma fortuna. E teve a situação do País, gasolina aumentando, tudo aumentando. Cedi à pressão doméstica e passei a receber”, conta.


Eloilson faz parte de um grupo de promotores do Ceará que são contrários ao benefício. Foi em uma das conversas sobre o auxílio que sugeriu o lançamento do manifesto, proposta recusada pelos colegas. “Eles disseram que seria uma confissão de que recebiam algo imoral. Também disseram que a maioria estava sem condições financeiras de fazer isso”, explica.


Dos 45 promotores que fazem parte do grupo, ele era o único que não recebia o valor e também acredita que foi um dos últimos, em todo o Estado, a abdicar do benefício. “Hoje eu recebo, mas sempre fui contra, porque embora seja um benefício normalizado, eu vejo que ele é de uma moralidade absolutamente questionável”, diz.

GABRIELLE ZARANZA

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