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Linhas ativas serão em número menor do que a população do Ceará

| TENDÊNCIA | O fenômeno já vem acontecendo. No Estado, a população já contabiliza 9 milhões de habitantes e o número de chips já está perto, contabilizando 9,1 milhões

01:30 | 16/02/2018

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Para os próximos anos, a tendência é que cada pessoa tenha apenas uma única linha móvel, com o número total de chips ativos um pouco menor do que a população do Estado. É o que prevê Rodrigo Cavalcanti, coordenador do grupo de pesquisa em Telecomunicações Sem Fio da Universidade Federal do Ceará (UFC).

 

Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) já seguem nesta direção. O Ceará atingiu a marca dos nove milhões de habitantes em 2017, próximo dos 9,1 milhões de linhas ativas no Estado. O percentual de queda dos chips também vem diminuindo nos últimos anos. Em 2015, foram 22,9 milhões (8,1%) de linhas móveis a menos no País, em 2016 foram 13,7 milhões (5,3%) e 2017 fechou com 7,5 milhões (3,1%) a menos.
 

Para Eduardo Jacomassi, gerente de Universalização e Ampliação do Acesso da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o recuo nas linhas móveis se deve às ofertas das operadoras. “As pessoas estão deixando de ter mais de um chip, principalmente o pré-pago, devido ao barateamento das ligações, aos planos para chamadas ilimitadas, inclusive para telefones fixos”, diz. Segundo a agência, em 2017, as linhas pré-pagas caíram 9,8% enquanto as pós-pagas cresceram 10,8% no Brasil.
 

O gerente da Anatel destaca ainda o aumento do uso da banda larga, confirmando que a internet tem se tornado um serviço mais essencial ao consumidor. Os dados da agência apontam que, de 2012 a 2017, o total médio de minutos utilizados para voz por mês caiu 7,38% por usuário no País.
 

No mesmo período, o volume de megabytes utilizados cresceu 915%. “O número de ligações vem caindo. Por outro lado, a quantidade de tráfego de dados na internet vem aumentando, seja por WhatsApp ou aplicativos de voz como Voip e similares”, observa Eduardo.
 

Telefones e tablets são os responsáveis pela grande inclusão digital da população, avalia André Navarro, consultor de tecnologia e diretor técnico da startup Auditphone. Segundo ele, a qualidade da internet melhorou bastante em todas as operadoras e, somado à retomada da economia do Estado, as pessoas podem voltar a assumir contas mensais, a exemplo dos planos pós-pagos, que oferecem mais qualidade. “As operadoras não falam isso, mas se você fizer o teste de velocidade, a do plano pós-pago vai ter desempenho maior em quase 90% dos casos”, avalia.
 

Quanto à qualidade das ligações, André destaca ainda ser o grande “calcanhar de Aquiles” das operadoras, pois há regiões onde as linhas não funcionam. “90% dos locais em Jericoacoara, por exemplo, não pegam nenhum tipo de sinal. Você vai para uma das praias mais procuradas do planeta e não pega telefone. Discrepâncias que se vêm constantemente. São os chamados pontos cegos”.


O consultor destaca a tendência de o celular ser usado mais como ferramenta de trabalho. Segundo André, com o Samsung DeX é possível conectar o aparelho Galaxy S8 a um monitor, teclado e mouse para obter uma experiência de desktop. “Vai substituir a estação de trabalho pelo telefone. É o que acredito”. 

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