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Empresário aposta na escola de tempo integral para o enfrentamento

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01:30 | 05/02/2018

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O contraponto mais eficaz às facções criminosas em Fortaleza e outros municípios “seria o investimento em escola de tempo integral”. Quem pensa assim é o empresário Beto Studart, presidente da Federação das Indústrias do Ceará (Fiec).
 

Para Studart, o enfrentamento da violência é de competência do poder público. Mas sempre que a Fiec é chamada à mesa tem colaborado com iniciativas que envolvem o Serviço Social da Indústria (Sesi) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).
 

O empresário cita a Escola Sesi/Senai da Parangaba como modelo de perspectiva para crianças e adolescente. Em dois turnos, o espaço “é um misto de educação básica, profissionalizante e ensino de valores”.
 

A instituição, também custeada pelo Fundo de Apoio ao Trabalhador (FAT), é destinada sem ônus aos filhos dos trabalhadores das indústrias no Ceará. A comunidade em geral paga R$ 400 de mensalidade.
 

No Sesi, também relata o presidente da Fiec, há ainda o Programa Vira Vida  que atua com crianças em situação de vulnerabilidade social. Já o Senai tem parcerias com a Secretaria da Justiça do Estado para a capacitação de egressos do sistema penal. E com o Tribunal de Justiça no projeto Sentinela, para jovens.
 

Apesar de não existirem estudos específicos, Beto Studart avalia que “é inegável os transtornos causados pelo fenômeno (das facções) em vários setores da sociedade” . E o cotidiano da indústria não tem blindagem contra isso.
 

Para um educador social do São Cristóvão, no Grande Jangurussu, a Rede Cuca tem de passar por uma reavaliação e incluir em sua pauta a realidade das facções criminosas que batem à porta e já entraram no equipamento público importante para as comunidades dominadas pelo tráfico. O educador alerta que não se pode deixar que eles “também sejam donos do lugar”.

Um dos passos, opina a fonte, seria a inclusão de crianças e adolescentes sem restrição de faixa etária nos cursos formais do Cuca. Atualmente, reclama, só estão meninos e meninas a partir de 15 de idade e jovens até 29 anos. “Ou a gente cuida desses milhares de seres humanos ou as facções aumentam os exércitos”, diz. 


Júlio Brizzi, secretário da Juventude de Fortaleza, responde que existe um estudo para ampliação da faixa etária de atendimento. Para que a atuação da Rede Cuca, no Jangurussu, Mondubim e Barra do Ceará, contemple jovens com idades menores de 15 anos.
 

Por enquanto, iniciativas paralelas aos cursos formais nos Cucas incluem crianças, adolescentes, jovens e adultos em várias faixas de idade. Segundo Júlio Brizzi, o Projeto Integração é um exemplo.
 

“Possibilita aos alunos, de 13 a 15 anos, desenvolver, no contraturno escolar, atividades esportivas e de formação cultural. Cursos de português e matemática”. Os Cucas contam ainda com atividades esportivas para o público de 8 a 17 anos. Futsal e capoeira, resultado de parceria com o Sesc.

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