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Mobilidade. O transporte ideal para Fortaleza

| METRÔ? | Só duas linhas de metrô operam plenamente em alguns bairros de Fortaleza e de outras cidades da Região Metropolitana. Entenda por que a Cidade desafia o aumento da malha metroviária e conheça propostas para o futuro

01:30 | 23/01/2018

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Fortaleza tem dois traçados de infraestrutura ferroviária em pleno funcionamento para o transporte de pessoas. Somadas, as linhas sul e oeste do metrô da Capital percorrem 43,6 quilômetros entre o Centro e a Região Metropolitana, num movimento pendular que permanece na lógica do século XIX, época da Revolução Industrial, quando os trens serviam apenas para abastecer de operários as fábricas instaladas no miolo das “cidades grandes”.
 

Vale, então, se perguntar: por que a mobilidade sobre trilhos, ligeira e de alta capacidade de passageiros, não acompanhou o crescimento urbano e populacional de Fortaleza, que tanto se distanciou do Centro nas últimas décadas? Uma cidade que cresceu desordenadamente e hoje tem 314,9 quilômetros quadrados territoriais e 2,6 milhões de habitantes não demanda um meio de transporte público que garanta acesso rápido a todos os lugares?
É sabido que a pouca conectividade entre os 119 bairros da Capital e a lentidão do transporte público dificultam o trânsito e o intercâmbio de pessoas e forçam a busca pelo automóvel particular.
 

No entanto, por razões mais políticas e econômicas do que de mobilidade, até então não há empenho real em massificar a malha metroviária. A construção da linha leste do metrô, que conectaria o Centro ao bairro Edson Queiroz, segue paralisada desde 2015 à espera do financiamento de R$ 1 bilhão pelo BNDES, segundo a Metrofor.
 

Por outro lado, o arquiteto e urbanista Fausto Nilo estuda com sua equipe do plano Fortaleza 2040 a viabilidade de um corredor urbano orbital de 21,7 quilômetros que, à priori, deve funcionar no sistema do corredor expresso Bus Rapid Transit (BRT), mas que, se for de interesse da Cidade, abre caminho para a instalação de metrô, formando um eixo entre Centro e periferia.
 

Antes, porém, Fortaleza precisa desenvolver condições urbanísticas que garantam o sustento desse sistema. Uma das formas de fazer isso é, de acordo com Fausto, estimulando a compactação dos bairros a partir da criação de 14 outros corredores de BRT. Com mais residências, comércios e serviços sendo construídos orientados pelo sistema de transporte urbano, se prepararia um terreno mais acessível. Assim, com demanda efetiva, os BRTs poderiam se cruzar com a orbital e permitir diferentes mudanças de direção.
 

Por causa da necessidade de adensamento para garantir a eficiência do metrô, o 2040 intenciona criar “bairros de inovação” ao longo do corredor orbital. A proposta é intensificar as potencialidades de regiões da Cidade como o Porangabussu, propenso a se tornar polo de conhecimento científico, que deve vir a ser o piloto do projeto. “É um protótipo a ser realizado e as pessoas vão se manifestar usando, que é a melhor maneira de participação”, projeta Fausto.
 

“Pra que tenha um metrô que realmente funcione, precisa ter esse referenciamento. Na José Bastos, por onde passa uma linha do metrô, não existe densidade no entorno. Você não vê, ao longo do dia, um trânsito de pessoas acessando e saindo das estações para carregar a malha metroviária”, compreende o professor de Engenharia de Transportes da UFC, Bruno Bertoncini. Por e-mail, a Metrofor disse não possuir pesquisas de adensamento populacional no entorno das linhas em operação.   

 

O melhor BRT ou metrô?
 

Num planejamento de mobilidade urbana, incitar a disputa entre os meios de transporte é pouco eficiente. Por isso, antes de determinar que um metrô é melhor do que um BRT e vice-versa, por exemplo, é preciso compreender quais são as reais necessidades da Cidade.
 

No caso de Fortaleza, um metrô demandaria obras demoradas e de grandes impactos ambientais, alta densidade populacional — que, segundo especialistas, ainda não existe — e um sistema de controle sofisticado. “O pessoal da China, que tem dinheiro sobrando, é que faz isso (rápido)”, contrapõe Mário Ângelo Azevedo, professor do departamento de Engenharia de Transportes da UFC. Já o BRT, segundo ele, é mais barato, pode ser implantado em dois anos e tem se consolidado mundialmente como um meio de transporte de alta capacidade.  

 

EXEMPLO
 

Curitiba é conhecida por investir em corredores de BRT e infra-estrutura para garantir que a cidade se desenvolva orientada pelo transporte público   

 

Tipos de transporte METRÔ
 

Com 24,1 quilômetros de extensão e 19 estações, a linha sul do metrô de Fortaleza opera com trens elétricos pesados que passam por Maracanaú, Pacatuba e outras cidades da Região Metropolitana. Em 2017, em média, 545,4 mil pessoas utilizaram o sistema, equivalente à média de 1,5 mil por dia. Esse modal pode circular de forma subterrânea ou em superfície.


VLT
 

Operada por Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), a linha oeste tem extensão de 19,5 km e percorre dez estações. Em fase de construção, o ramal Parangaba-Mucuripe também opera com VLT e deve ficar completamente pronto ao fim deste ano, segundo o Governo do Estado. 


BRT
 

Até agora, Fortaleza tem somente o corredor de BRT Bezerra de Menezes-Papicu consolidado. Trecho do corredor Centro-Messejana deve ficar pronto no próximo mês de abril, quando forem concluídas as obras na avenida Aguanambi. São característicos desse sistema, que tem estações e faixa exclusiva, os ônibus articulados (ou sanfonados)
 

ÔNIBUS
 

A Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor) opera com uma frota de 2.291 ônibus. Destes, apenas oito são articulados (sanfonados, específicos para circular em sistema de BRT), com capacidade para 160 passageiros, e 2.283 são convencionais, com capacidade variada entre 38 e 105 passageiros. 

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