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Itapajé. Famílias ficam aflitas com falta de informação

01:30 | 30/01/2018

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Apreensão, indefinição, fome. Familiares de detentos da Cadeia Pública de Itapajé padeceram com a demora para ter informações a respeito de seus parentes após a chacina que vitimou dez pessoas no local. Logo após circularem as primeiras informações das mortes em série na unidade, as pessoas começaram a chegar, em busca de notícias.
 

E o passar das horas era sinônimo de aumento da aflição. De longe, a cerca de 30 metros de distância, eles acompanhavam o vaivém de policiais fortemente armados. Viam também corpos sendo levados nos carros da Perícia Forense. E mostravam um misto de tristeza e alívio quando lá não estavam seus filhos, irmãos, sobrinhos e maridos. Até mesmo os curiosos, que nada tinham a ver com a história, serviam de “psicólogos”, acalmando os que estavam mais nervosos.
 

A revendedora Ângela Maria Ferreira, 45, chegou por volta das 9 horas encarando chuva e medos. Ao buscar informações do sobrinho na cadeia, ainda teve de lidar com respostas nada amistosas.
 

“Fui perguntar e um policial do Gate me disse que se eu quisesse saber como ele tava, eu tinha que ficar presa junto com eles”, afirmou, segurando o pranto.
 

O coração só ficou — um pouco — mais tranquilo ao ser informada que o sobrinho foi um dos 44 presos transferidos para outras unidades prisionais na Região Metropolitana de Fortaleza. “Agora é saber para onde ele vai. Mas não sei se ele tem o que comer ou o que vestir”, complementa.
 

Uma mulher que pediu para ser identificada como Marina — com medo de represálias das facções — não arredou o pé do local. Nem a chuva forte com relâmpagos constantes a fez desistir. “Almoçar? Não sei nem o que é isso hoje”, afirmou, alternando raiva pela falta de informações e choro angustiado pela situação.


As cerca de 100 pessoas aglomeradas nas proximidades da Cadeia Pública de Itapajé só foram conseguir informações sobre o caso no fim da tarde, quando foram divulgados os nomes dos transferidos.
 

O defensor público e integrante do Núcleo de Atendimento ao Preso Provisório (NUAPP), Émerson Castelo Branco, divulgava a lista. A cada nome lido era um pequeno grupo de pessoas baixando a cabeça para segurar o choro.
 

“Pelo menos ele não está morto”, balbuciava um, tirando altivez sabe-se lá de onde.
 

Segundo Émerson Castelo Branco, a Defensoria Pública do Estado vai entrar na Justiça com ações de indenização para os dez detentos mortos nessa chacina. Além disso, ele informou aos familiares dos demais detentos que vai intermediar e auxiliar nas informações dos locais para onde eles foram transferidos. (João Marcelo Sena)

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