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Jornal

PT dá início a processo de expulsão de Palocci

O ex-ministro é acusado de quebrar a ética partidária ao dizer em depoimento ao juiz Sérgio Moro que Lula firmou um "pacto de sangue" com o empreiteiro Emílio Odebrecht entre outras acusações

19/09/2017 01:30:00
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A executiva municipal do PT de Ribeirão Preto decidiu ontem, por unanimidade, enviar o caso do ex-ministro e ex-prefeito da cidade Antonio Palocci para a comissão de ética do partido. Na prática, o PT de Ribeirão deu início ontem ao processo de expulsão de Palocci. A Comissão de Ética da legenda tem um prazo de 60 dias, prorrogáveis por mais 30, para apresentar um relatório.


O ex-ministro é acusado de quebrar a ética partidária ao dizer em depoimento ao juiz Sérgio Moro que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva firmou um “pacto de sangue” com o empreiteiro Emílio Odebrecht e teria recebido benefícios pessoais da empresa, Palocci disse também que chegou a entregar maços de dinheiro vivo a Lula.

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“O motivo são as acusações inverídicas que ele fez tentando incriminar o ex-presidente Lula”, disse o presidente do diretório municipal do PT de Ribeirão, Fernando Tremura.


Segundo ele, o partido não vai investigar as acusações de corrupção das quais Palocci é alvo. “Não vamos entrar neste mérito. As acusações de corrupção vão ser investigadas pela Justiça federal”, explicou o dirigente.


Tremura negou que o PT de Ribeirão estivesse evitando abrir o processo contra sua principal liderança. “Não é que o PT não queria investigar, é que até agora ninguém tinha feito uma denúncia”, afirmou.


O responsável pela iniciativa é Luiz Fernando da Silva, integrante da executiva municipal. Agora Palocci será notificado sobre a abertura do processo e terá um prazo para apresentar sua defesa. Dentro de no máximo três meses a comissão de ética apresenta um relatório com o resultado das investigações e sugestões de penalidades a serem aplicadas, se for o caso. O relatório é votado pelo Diretório Municipal, a quem cabe a última palavra.


A mãe de Palocci, dona Toninha de Castro, de 82 anos, é suplente no Diretório Municipal e militante ativa do partido. Segundo Tremura, ela costumava participar de todas as reuniões e votava quando algum integrante titular faltava à reunião. “Agora ela anda meio afastada. Dá para entender, ela é mãe”, disse o presidente do PT de Ribeirão.


Na direção nacional a expectativa é que Palocci tome a iniciativa de pedir a desfiliação.


Depoimento

Na semana passada, Tremura, afirmou que o ex-ministro Antonio Palocci teria prestado depoimento para o juiz Sérgio Moro, no último dia 6, “sob efeito de tortura”. A conclusão foi enviada aos militantes do partido por meio de uma nota.

 

Sobre as críticas que Palocci recebeu de alguns membros do PT, Tremura disse não ser correto compará-lo a figuras como o ex-ministro José Dirceu, o ex-deputado José Genoino e o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto (que, embora presos, não delataram o ex-presidente).


“Palocci não tem as mesmas características, formação e preparo desses companheiros. São pessoas diferentes, com histórias diferentes de vida.” Questionado sobre uma possível expulsão de Palocci, ele afirmou que em Ribeirão Preto (cidade na qual o ex-ministro foi prefeito por duas vezes) “ainda não há hipótese de expulsão”. “Claro, vamos esperar uma diretriz nacional, mas nada do que ele disse diminui a importância de Palocci para Ribeirão Preto”, disse Tremura.

 

Adriano Nogueira

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