PUBLICIDADE
VERSÃO IMPRESSA

Deputados criticam escolha de Marun para relatoria de CPMI da JBS

Dois senadores - Otto Alencar e Ricardo Ferraço - pediram para deixar o colegiado em protesto pela escolha do "testa de ferro" de Temer. A CPMI foi instalada para investigar operações da JBS e da holding J&F com o BNDES

01:30 | 13/09/2017

Marun (e) foi escolhido para ser o relator da CPMI criada para investigar irregularidades envolvendo a JBS
FABIO RODRIGUES POZZEBOM/ABR
Marun (e) foi escolhido para ser o relator da CPMI criada para investigar irregularidades envolvendo a JBS FABIO RODRIGUES POZZEBOM/ABR

Após a confirmação do nome do deputado Carlos Marun (PMDB-PR) para a relatoria da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) criada para investigar irregularidades envolvendo o grupo JBS, dois senadores – Otto Alencar e Ricardo Ferraço - pediram para deixar o colegiado em protesto pela escolha. Logo que o presidente da CPMI, senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO), anunciou o início dos trabalhos, o senador Otto Alencar (PSD-BA) pediu a palavra para criticar o que chamou de “CPI chapa branca”.

 

Apesar dos apelos de Ataídes para que se acalmasse e continuasse ouvindo os colegas, Otto Alencar deixou a sala da comissão. “O testa de ferro do Temer na Câmara, que é o Carlos Marun, é o relator. Então você acha que vai acontecer o que com o Temer? Absolutamente nada. Ele está envolvido nas denúncias de corrupção da JBS, ele foi gravado, tem a fala dele dizendo coisas que não deveria dizer”, denunciou o parlamentar em entrevista. A CPMI foi instalada para investigar as operações da JBS e da holding J&F com o BNDES, além de apurar as condições em que foi firmado o acordo de delação premiada entre os executivos da companhia e o MPF no âmbito da Lava Jato. Na semana passada os executivos da J&F Joesley Batista e Ricardo Saud tiveram os benefícios da delação suspensos pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Um dos principais aliados do presidente Michel Temer, Marun disse que não se sente impedido de assumir a relatoria, apesar de ter recebido, de forma indireta, recursos financiados pela JBS em sua campanha. “Eu me sentiria impedido se eu tivesse relação estreita com a JBS, coisa que eu não tenho. Então, me sinto completamente à vontade e tranquilo para o exercício dessa relatoria. Tenho uma relação estreita com o governo. Mas eu vou atuar em cima da verdade”, declarou Marun antes do início da reunião.

Mais cedo, o senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES) já havia pedido a retirada do seu nome como integrante do órgão alegando que o objetivo da CPMI não é investigar e sim “fazer acerto de contas”. O senador Randolfe Rodrigues (REDE-AP) também estuda deixar a comissão, mas disse que pode continuar a colaborar com a “amplíssima minoria” para fazer as denúncias “na medida do possível”. (ABr)

 

Saiba mais

 

Já o senador Ronaldo Caiado (DEM-GO) disse acreditar nos trabalhos da comissão, mesmo discordando da escolha de Marun. “Essa situação foi minimizada no momento em que o presidente abriu duas subrelatorias e colocou dois parlamentares totalmente independentes.” O senador Lasier Martins (PSD-RS) disse respeitar Marun, mas é de opinião que “não é o mais indicado” para o cargo.

TAGS