PUBLICIDADE
Jornal

Preso é colocado junto de facção rival acaba morto

23/08/2017 01:30:00
O detento Francisco João Batista, encontrado morto na tarde de ontem estava “declarado” para morrer por uma facção rival a que ele pertence. João, que estava no Centro de Triagem foi transferido justamente para a Casa de Privação Provisória de Liberdade Professor Clodoaldo Pinto (CPPL II), unidade que concentra os internos que queriam matá-lo.

 

Segundo o defensor público, Emerson Castelo Branco, a família de João recebeu a informação que ele seria levado para a CPPL2 e compareceram a sede da Defensoria Pública com diversos áudios e mensagens que provavam que ele estava marcado para morrer pelos presos da CPPL 2 e queriam que a defensoria impedisse a transferência.


O defensor público explica que buscou a Coordenadoria do Sistema Penal do Estado (Cosipe) e teve a informação de que João Batista já havia sido encaminhado a CPPL 2. O defensor público diz que ainda buscou o diretor da unidade prisional e que o funcionário foi até a cela, mas se deparou com João morto. “


A família pensava que ele estava vivo, tivemos que avisar que ele acabou de morrer, chamamos o serviço de psicologia da defensoria para comunicar, eram três familiares”, ressaltou. Nunca vi isso em 14 anos de profissão”, lamentou.


O POVO apurou que alguns funcionários trabalham com a possiblidade de ter acontecido um erro de digitação na hora da confecção do ofício que transferia o preso, que seria levado para para a CPPL 3, mas o número foi trocado por 2.


Indagado sobre a possibilidade de um erro de digitação, o defensor Emerson Castelo Branco disse que é inaceitável esse tipo de erro, pois o preso foi encaminhado justamente a rua da facção rival. “Um preso chega declarado para morrer e esse preso não ia se manifestar? É básico perguntar se o preso é de facção a qual facção ele pertence. E a facção não é algo que o preso esconda, pois é interesse dele ficar na unidade que tem a sua facção. O preso vai em direção a rua que vai morrer e não vai falar nada?”, indagou.


Hoje deve acontecer uma reunião entre a Defensoria Pública, Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), Secretaria da Justiça e Cidadania (Sejus) para discutir a situação. O defensor disse que só com os documentos de transferência em mãos pode ver o que realmente aconteceu.

A titular da Secretaria da Justiça e Cidadania do Estado do Ceará (Sejus-CE), Socorro França, afirmou que ainda não poderia fazer nenhuma declaração antes de apurar a declaração do defensor público, mas disse que a Sejus coordena os detentos de acordo com as facções.

“Existe hoje dentro do sistema a questão das facções. E se a gente não separa, morre”, disse a titular da pasta.


“Temos um cuidado para evitar que pessoas de facções rivais estejam no mesmo presídio, mas existe uma grande crítica de que colocar as pessoas do mesmo grupo juntas pode fortalecer as facções. Mas se a gente não fizer isso, a gente não salva vidas”, ressaltou Socorro França.

Francisco João Batista tinha 35 anos e foi encontrado já sem vida, com sinais de lesão corporal. Outros detentos da unidade foram ouvidos pela Polícia Civil, que vai apurar o caso.

Adriano Nogueira

TAGS