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PSDB decide se manter no Governo e eleger nova executiva

Na reunião, prevaleceu o entendimento de que, enquanto as reformas estiverem tramitando no Congresso Nacional, o PSDB deve continuar ao lado de Temer. Partido também condicionou apoio à andamento da Lava Jato

13/06/2017 01:30:00
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Em mais uma conquista do presidente Michel Temer, o PSDB decidiu ontem continuar na base do Governo. Não houve votação na plenária que reuniu os principais líderes tucanos em Brasília. Os discursos de caciques do partido, como o senador José Serra (SP) e o governador de São Paulo Geraldo Alckmin, bastaram para abrandar o movimento de desembarque, que vinha crescendo desde a última semana.

[SAIBAMAIS]

Principal fiador de Temer, o PSDB se comprometeu a apoiar nas reformas (previdência, trabalhista e política) e cogita orientar sua bancada a votar pela rejeição da denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra o presidente. O documento deverá ser entregue à Câmara até o fim deste mês e precisa de 172 votos para chegar ao Supremo Tribunal Federal (STF).


“Chegou-se a um consenso que o PSDB tem uma corresponsabilidade pelo País. Se surgir alguma outra instabilidade, ficou decidido que [o presidente interino] Tasso Jereissati chamaria o diretório para analisar”, disse o deputado cearense Raimundo Gomes de Matos.

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A reunião, que estava prevista para semana passada, foi adiada na espera do resultado do julgamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), outro trunfo de Temer. Desde as delações que implicam o presidente, uma ala do partido já pedia cautela no que tocava ao desembarque.

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“O PSDB não fará nenhum movimento agora no sentido de sair do Governo. Se os fatos mudarem, terão outras análises”, afirmou ontem o senador José Serra. “É um governo que tocou adiante compromissos que assumiu conosco. Isso é visto como algo positivo”, acrescentou.


Nas bases, entretanto, e entre os tucanos mais jovens, o argumento era pela saída do Governo com entrega dos quatro ministérios ocupados pelo PSDB (Cidades, Relações Exteriores, Secretaria de Governo e Direitos Humanos).


Com a absolvição de Temer no TSE e ameaças do presidente do PMDB, Romero Jucá, que disse que “ficaria difícil apoiar o PSDB” em 2018 caso desembarcassem agora, prevaleceu a vontade do grupo de tucanos mais velhos que queriam continuar atrelados ao Governo.

 

Renovação

De acordo com o deputado Raimundo Gomes de Matos, que estava na reunião, foi autorizada a antecipação da convenção do partido com o objetivo de eleger um novo diretório. Atualmente, o presidente do partido é o senador Aécio Neves (MG), afastado de suas funções após ter sido atingido pelas delações da JBS. Ele teria sido gravado pedindo R$ 2 milhões em propina.

 

Entre os nomes mais cotados para assumir a presidência nacional do PSDB, está o do presidente interino senador Tasso Jereissati (CE). A Convenção que estava prevista para maio de 2018, ocorrerá ainda neste ano, em data ainda indefinida.


O objetivo é tentar refrescar a imagem do partido. Há ainda busca por maior estabilidade dentro do PSDB. Em uma nova eleição, uma chapa pode ser negociada para agradar diversos setores da legenda. (com Agência Estado)

Isabel Filgueiras

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