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Tecnologia na ponta do pneu

01:30 | 26/07/2018
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Quando se fala em pneu, não tem para onde correr. Ou melhor, onde dirigir. Sem ele, o carro não anda, e por isso mesmo a indústria automotiva investe em novas tecnologias para torná-lo mais eficiente em diferentes tipo de pista. Há modelos run flat, capazes de circular vazios até a troca, selantes, com película protetora, e a indústria não para de dar asas à imaginação. O investimento em pesquisa é intenso já que o produto é uma das peças mais fundamentais do veículo.

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Escolhida para fornecer os pneus do Jaguar E-Pace, a Goodyear apresenta conceitos a fim de antecipar o futuro. É o caso do protótipo Oxygene, com estrutura de musgos vivos para absorver umidade da água na estrada, permitir fotossíntese e a devolução de oxigênio ao ambiente. Ou ainda projeto de pneu com sensores em nuvem digital, conectado em tempo real. "Essa interatividade com o usuário ajuda muito na manutenção e na correta aplicação do pneu [...] Se você precisa de sensores, vai pagar mais para ter o benefício.

Mas na verdade o que a gente quer é vender uma solução, esse é o nosso grande ponto para o mercado", explica o diretor de Produtos - Pneus de Passeio para Goodyear América Latina, Vinícius Rezende Sá, em entrevista por telefone ao O POVO.

 

Somado a essas ideias apresentadas no Salão Internacional do Automóvel de Genebra de 2018, a Goodyear lançou este ano pneus de borracha à base de óleo de soja. Além de sustentável, o material melhora o desempenho em pavimentos secos, molhados ou em condição de inverno. "O óleo de soja melhora o desempenho do pneu a baixa temperaturas, porque ele ajuda a marcha a se manter mais estável em seus componentes químicos", argumenta o diretor.

[SAIBAMAIS] 

Na mesma linha de modernização, o gerente de Produtos Car e Motorsports da Pirelli para a América Latina, Fábio Magliano, cita o sistema Conesso, que funciona como ponte entre o pneu e o carro por meio de uma central eletrônica. "Toda informação captada em tempo real é fornecida ao motorista para melhor controle e uso do carro, além de entregar soluções personalizadas para o proprietário em caso de necessidade de troca ou promoções exclusivas", define.

 

Mais e mais produtos são desenvolvidos com a intenção de melhorar a performance para os clientes, como avalia o professor Igor Zucato, do Instituto Mauá de Tecnologia. "Desde pneus de baixo consumo de combustível (baixa resistência ao rolamento), baixo rumor devido ao crescente mercado de carros elétricos, bem como produtos que promovem maior atratividade e baixa compactação no mercado agrícola. No mercado de mineração, a busca está por tecnologias que adicionem maior capacidade de carga aos pneus em trajetos maiores", informa.

 

Os "conectados" são vistos como um diferencial para o mercado de pneus industriais - caminhão, ônibus, mineração, agro. "Para o mercado de pneus de carro, o sistema no momento está sendo aplicado no nicho de alta tecnologia, carros de competição ou luxo, onde os pneus passam a ser mais um produto IOT (Internet das Coisas) e o custo adicional desta tecnologia é aceitável dentro do custo total do veículo", explica.

 

Assim como a italiana Pirelli e a norte-americana Goodyear, ambas com versões run flat, a alemã Continental tem modelos aptos a circular até o motorista encontrar um local seguro para o reparo do pneu furado. Esse tipo possui estruturas reforçadas em flancos e laterais, e o veículo pode rodar cerca de 80 km, até o limite de 80 km/h. A Continental estima que furos causados por objetos de até 5 milímetros representam cerca de 85% dos danos de perfurações, daí a produção de modelos seal. A película interna desses pneus veda o furo e dispensa, como o run flat, o uso do estepe.

 

"Pneu eficiente é aquele que cumpre seu propósito em atender à necessidade de cada consumidor, seja ela economia de combustível, maior robustez e durabilidade ou desempenho superior no piso molhado com a máxima segurança e qualidade", resume Elias Nogueira.

 

Cautela na estrada

O empresário Renato Sampaio, 29, trocou os quatro pneus já desgastados do Honda Fit antes de viajar para Juazeiro do Norte.

Depois de pesquisar valores em quatro lojas, conseguiu um preço que considerou justo: R$ 1.705 - com troca, alinhamento e balanceamento incluídos. "Os quatro pneus davam para rodar mais um pouco na cidade, mas decidi trocar logo todos antes da Expocrato".

 

DICAS

 

Pressão

 

Pneus a frio devem ser calibrados pelo menos uma vez por semana.

Alinhamento e balanceamento a cada 10.000 km no máximo, mas se o veículo é utilizado somente na cidade este prazo deve ser reduzido até pela metade (a cada 5.000Km), explica Fabio Magliano, Gerente de Produtos Car e Motorsports da Pirelli para a América Latina.

 

De olho no TWI (Tread Wear Indicator) Indicador de desgaste, fica na banda de rodagem em vários pontos, mostra a hora em que o pneu deve ser trocado. Quanto mais próximo do fundo de cada sulco as marcas estiverem, maior o desgaste. "Ao alcançar o TWI, o pneu perde sua capacidade de escoamento de água, o que pode causar um acidente em condições adversas de piso", adverte Magliano.

 

Manutenção do veículo

 

Conservar o carro como um todo também é fundamental para a durabilidade do pneu caso o veículo esteja com sua geometria alterada o pneu pode sofrer o desgaste prematuro, conforme Magliano.

 

Cuidado na direção

 

A durabilidade do pneu está ligada ao estilo de dirigir do motorista. A dica é maneirar no acelerador e no freio. "Se um motorista tende a conduzir seu veículo a velocidades mais altas e realizando diversas frenagens, a tendência é que o pneu se desgaste mais rápido", descreve Elias Nogueira, supervisor de desenvolvimento de produto da Continental.

 

Longe de corrosão

 

Evite deixar o pneu sobre produtos tóxicos ou corrosivos, pois isso garante as propriedades da borracha e prolonga a vida útil do pneu.

Também não lave os pneus com solventes.

 

Rodízio

 

Os pneus mais novos devem sempre ficar na traseira do carro, pois um problema nos pneus da frente pode ser melhor controlado por causa do volante.

 

Quanto custa

Troca dos quatro pneus do carro pode variar de R$ 950 até R$ 4.500, quando o veículo for de luxo, importado. A média é calculada pela gerente da Gerardo Bastos na avenida Barão de Studart, Simone Papaleo. Em carros populares, esse valor pode chegar até cerca de R$ 1.600. "Quando o cliente já chega realmente falando que queria trocar só dois, a gente coloca os novos na traseira [...]Não indicamos colocar nenhum tipo de produto na borracha, só fazer alinhamento e balanceamento, calibragem correta, isso sim mantém a durabilidade", alerta.

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