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Atrativos de segunda mão

A compra de peças usadas pode ser uma forma de poupar dinheiro, mas requer algumas precauções

01:30 | 12/07/2018

 

De acordo com a Lei Nº 12.977, conhecida como a Lei do Desmanche, os locais de venda de peças usadas de veículos devem possuir autorização do Detran para funcionar, devem se dedicar exclusivamente a essa função, ou seja, não podem vender peças novas também e o automóvel só pode ser desmontado após ser dado baixa. Além disso, é possível que os proprietários sofram sanções caso desrespeitem algumas regras, por exemplo, não emitir a nota fiscal ou não deixar claro que se trata de uma peça oriunda já de outro veículo.

 

Um dos maiores atrativos entre comprar uma peça nova e uma usada é a diferença de valor entre elas. "Normalmente, é metade do preço das autorizadas", afirma Everton Sousa, vendedor da sucata O Evandro. Segundo Luiz Mendes, especialista no mercado automotivo, se a unidade for mais difícil de ser encontrada nos estoques, o preço pode se aproximar ao de uma nova.

 

Outra vantagem é quanto a qualidade do produto. "A nossa é uma peça genuína, é original. Por exemplo, uma turbina da Hilux é R$ 9.000 e a gente vende aqui por R$ 2.000. No mercado paralelo, ela não tem a mesma durabilidade", explica Everton. Assim, para saber se o item está em boas condições de ser comprado, Rinaldo Correia, proprietário da Sucata Iguatu, recomenda que um mecânico seja requisitado para a avaliação, porque é provável que o cliente comum não tenha o conhecimento necessário. "Se eu vejo que a peça está mais desgastada, eu cobro 35% ou 40%", ressalta.

 

Porém, não são todas as peças que podem ser revendidas. Muitos veículos que servem de fonte das mercadorias passaram por uma batida que resultou em perda total, são leiloados pelas seguradoras. "Quando você está comprando (do leilão) um carro de um ano de uso, as peças que não foram quebradas na colisão estão em perfeitas condições de revenda. Depois da venda, a gente liga para saber como está a peça", acrescenta Rinaldo.

 

Também, os vendedores precisam ficar atentos ao estado em que os produtos chegam em suas mãos. "Como passa muito tempo parado no Detran, nem sempre é boa para vender, aí a gente já passa para a reciclagem", argumenta Jefferson dos Santos, proprietário da Sucata de Motos O Guegué.

 

Sabendo que existe um mercado movido à base de automóveis roubados, é importante estar alerta quanto à procedência das peças. Para Luiz Mendes, não é possível identificar a origem legal no próprio item por ele não apresentar nenhum código que faça referência ao veículo de onde foi retirado. Desse modo, a forma de comprovar sua proveniência é a partir da conferência da documentação. Sempre exija nota fiscal. 

LORENA MARCELLO