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A tendência do coliving

Ricardo Miranda, diretor das construtoras R. Miranda e Santo Amaro, debate sobre o conceito de coliving

01:30 | 14/04/2018
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Em contrapartida à individualização nos grandes centros urbanos, o compartilhamento de espaços antes privados, como cozinhas e lavanderias, é uma crescente tendência no mundo e está prestes a se consolidar em Fortaleza. De acordo com Ricardo Miranda, diretor das construtoras R. Miranda e Santo Amaro, uma de suas construtoras já pretende lançar um projeto de coliving ainda nesta primeira metade de 2018.


Se administrar uma empresa já demanda bastante responsabilidade, estar à frente de duas é um desafio. Ricardo Miranda ainda organiza espaço na agenda para se dedicar ao Lar de Clara, instituição social fundada por ele e seus amigos há 18 anos. Assim, em entrevista a Jocélio Leal no programa Mercado Imobiliário da Rádio O POVO/CBN, o engenheiro e empresário também discorre sobre os novos formatos de empreendimentos em que o mercado pode investir, a plataforma Fortaleza Online, os impasses com a Prefeitura e seu projeto social na Caucaia.


O Povo: O senhor se divide entre duas construtoras?


Ricardo Miranda: A construtora Santo Amaro existe há 30 anos, eu sou sócio com os meus tios. Nesses 30 anos, a gente atuou e atua no mercado imobiliário de Fortaleza e, para satisfação nossa, entregamos todos os nossos prédios juridicamente perfeitos e dentro dos prazos com ética, profissionalismo e transparência. É uma empresa familiar, com os tios. Por uma questão natural, eu tenho três filhos, o Ricardo Filho é engenheiro, a Larissa é arquiteta e a Carolina é administradora. Surgiu como uma coisa natural, com uma ideia da minha esposa Jaqueline, uma construtora com os filhos. Com todas as vantagens e as desvantagens das empresas familiares.

 

OP: Quantos canteiros cada uma têm?


RM: As duas construtoras estão na fase de projeto. Sabido que o nosso setor, não só o nosso setor, como todos foram afetados com essa crise, por uma questão de prudência e pé no chão, que é uma característica nossa também, nós não estamos com nenhuma obra no momento. Quem tem juízo deu uma puxada no freio de mão. Mas nós estamos com imóveis, terrenos adquiridos, desenvolvendo projetos nas duas construtoras. Ainda nesse primeiro semestre, a R.

Miranda vai fazer um lançamento. A Santo Amaro também está desenvolvendo os seus projetos, aprovando e esperando o momento adequado para refazer os seus lançamentos.


OP: O mercado de Fortaleza vive uma outra realidade com nova legislação, passa a ter unidades menores. Em que medida que o senhor acha que isso vai mexer com o mercado?


RM: No final do ano passado, em dezembro, a Câmara Municipal aprovou uma lei que caiu a fração ideal do lote. Quando a fração ideal do lote existia em determinado bairro, limitava o número de unidades. Às vezes, as incorporadoras para não perder índices, poder construtivo do terreno, era obrigada a fazer apartamentos de 100 m² para não perder área vendável. Com a queda da fração do lote, você fica livre para fazer as unidades do tamanho que você quiser. Vai ser possível você fazer apartamentos de 50 m², de 40 m², de 35 m². São Paulo, inclusive, tem unidades de 10 m², é menor que muitos quartos de hotel.

OP: Isso já mexe com o segmento de móveis, de mobília inteligente.


RM: Muita coisa de compartilhamento. Esse conceito, nós vamos utilizar no próximo lançamento da R. Miranda, que é justamente o compartilhamento de tudo. Nós estamos desenhando projeto de coliving para cá, vai ser ainda para esse semestre o lançamento. O mercado está ansioso para esse tipo de lançamento. Você desce ali e toda a infraestrutura de restaurantes, de academias, de farmácias, de mercados, de praia. Você mora bem em um investimento relativamente mais baixo. É menor, mas muito bem localizado e com serviços no entorno. E com Fortaleza Online, você tira o seu alvará de construção em poucos dias.

OP: O Fortaleza Online é muito mais rápido que os cartórios. Esse descompasso está gerando um impasse. O que está acontecendo?


RM: Só pode lançar se a gente estiver juridicamente perfeito. A Lei das Incorporações diz que para você fazer uma incorporação, você precisa ter um alvará impresso e carimbado pelo poder público. Você vai no cartório e reconhece a firma daquela pessoa que deu licença para você construir. São seis cartórios que registram imóveis em Fortaleza, tem uma legislação para cumprir. O Fortaleza Online está a frente desse tempo pela agilidade, tem um QR code. E os cartórios têm uma lei para cumprir. A gente está dependendo hoje para finalizar as incorporações que a Corregedoria do Estado do Ceará saia com um provimento que dê a base legal para os registradores aceitarem o alvará do Fortaleza Online. O Sinduscon, que é o nosso sindicato da construção civil, está atuando junto com a Prefeitura e os próprios cartórios foram à Corregedoria que isso saia o mais rápido possível. O mercado imobiliário de Fortaleza avançou através do Fortaleza Online, mas está estagnado por falta desse provimento.

E a gente não pode lançar se não tiver incorporação.

OP: Tem solução prevista quanto a isso?


RM: Espero que seja o mais rápido possível. Há uma promessa, já era para ter saído esse provimento. As partes envolvidas, os incorporadores, os registradores, o próprio cliente que vai comprar, a Prefeitura precisam ter um respaldo jurídico. O que vai dar esse respaldo é esse provimento, que eu espero que saia ainda nesse mês de abril.

OP: A relação de construtoras e Prefeitura está em um processo de estresse. Na conversa com o secretário Jurandir Gurgel, de Finanças, e secretária Águeda Muniz, da Seuma, o que vai ser levado para a mesa?


RM: Apesar do nosso bom relacionamento com a Prefeitura, a gente há de convir que quanto à super taxação dos alvarás de construção e de funcionamento, fomos surpreendidos e foi muito inadequado o momento, que é momento de retomada. Um alvará de um prédio desses que a gente está acostumado a fazer custava 9 ou 10 mil reais. Hoje custa mais de R$ 150 mil. É o alvará mais caro do Brasil. É verdade que o alvará valia por 24 meses e esse novo vai valer por 48 meses. Há de convir que é inoportuno e exagerado. Mas o nosso canal continua aberto, que na nossa conversa nós vamos tentar encontrar alguma maneira que seja justa, porque o poder público não pode cobrar mais que o serviço que ele oferece. Não é fonte de arrecadação para sobrar para usar em outra coisa. A gente aceita que haja o aumento, não tem problema, mas há de convir que o aumento para 150 mil ou mais é um exagero.


OP: Em que medida o trabalho do Lar de Clara trabalha a ideia de consistência e não a ações pontuais?


RM: Há 18 anos, em dezembro de 1999, eu e um grupo de amigos nos reunimos e identificamos essa comunidade indígena ali em Iparana, no município de Caucaia, que vive abaixo da linha da pobreza. A gente fundou o Lar de Clara, que se propõe a fazer a promoção social das famílias, através da educação, profissionalização, saúde, cultura, esporte, lazer. Claro que isso teria um custo se nós não tivéssemos parcerias. No projeto do Lar de Clara, a empresa recebe um selo que pode usar em campanhas, em seus sites, na etiqueta de seu produto. Ele dá um salário mínimo por mês. Dá dinheiro, material ou serviço. Hoje a gente atende mais de 500 famílias, mais de 2.000 pessoas, são 1.000 refeições por dia.

Nós precisamos de mais adesões. Quem quiser nos procurar para aderir ao projeto, pode ligar para o meu celular 99987-1609. É só nos procurar para conhecer o Lar de Clara. Nós temos 140 voluntários. 

 

Frases

 

Você tem toda a infraestrutura de restaurantes de mercados. Você mora bem em um investimento mais baixo 

 

Fração do lote - Era o critério utilizado para o cálculo do número máximo de unidades destinadas a habitação e ao comércio, diferenciado de acordo com a zona. 

 

Fortaleza Online


A Secretaria de Urbanismo e Meio Ambiente (Seuma) desenvolveu um sistema digital que permite a solicitação de licenças e autorizações via internet, por exemplo, alvará de construção automático, alvará de funcionamento fácil, certificado de inspeção predial e licença sanitária.

LORENA MARCELLO

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