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Indo além da fiança ou da caução

Alugar um imóvel exige garantias. Veja alternativas que evitam dor de cabeça no momento da transação

01:30 | 03/02/2018
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Além de caução e fiador, tradicionais garantias, hoje em dia há outras opções, como seguro-fiança, título de capitalização e aluguel adiantado, para alugar imóveis. Dependendo do perfil do morador, cabe analisar as propostas e pesar se vale a pena despender mais dinheiro e recebê-lo de volta, corrigido, ou gastar quantia menor, sem retorno.


O conselheiro do Sindicato da Habitação (Secovi) e diretor da FZ Imóveis, Francisco Freitas, cita que em sua imobiliária cerca de 70% das locações ainda são fechadas com fiador, 25% com título de capitalização e de 3 a 5% com seguro-fiança. Ele acredita que a garantia por fiador deve ficar, cada vez mais, ultrapassada. “É o único tipo de garantia que envolve o imóvel do fiador, o bem de família pode ir para garantia do débito, pode ser bloqueado judicialmente. Se você imagina que tem o seu imóvel residencial e ninguém nunca vai tomar, é ilusão: a fiança consegue levar esse imóvel a leilão para quitar (eventual) débito”, frisa.


Com as dificuldade de encontrar um fiador, o título de capitalização passa a ter papel importante no mercado imobiliário. “A lei do inquilinato só permite três garantias: fiador, uma caução em valor monetário limitado a três meses e o seguro-fiança. O título de capitalização, na verdade, é uma caução em título, porque não há limite. A imobiliária pode pedir a quantidade que ela quer”, diz Henrique Câmara, diretor de corretora de seguros homônima.


O aluguel adiantado, por sua vez, não pode ser solicitado junto a outra forma de seguro, destaca Apolo Scherer, presidente do Creci-CE. “O inquilino vai analisar as condições dele. Às vezes, a garantia termina sendo secundária para ter o imóvel e aí vai tentar se salvar de uma forma ou de outra.Cada um tem a vantagem e a desvantagem.”

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O que deve facilitar a vida do locador e locatário é a análise mais qualitativa. Um débito em crediário ou conta de telefone, não necessariamente, significa que o cliente é inquilino ruim. “Entre as contas que hoje em dia são mais negativadas está a de telefone. A gente faz uma análise e chama o cliente para explicar. Toda imobiliária está querendo um bom inquilino. Às vezes, está devendo porque prioriza justamente o aluguel, o colégio das crianças”, aponta.


A preferência maior pela caução em relação ao título de capitalização ou seguro-fiança, segundo Henrique, tem a ver com questões culturais e de poder aquisitivo. Além disso, avalia o especialista, o comportamento do mercado imobiliário no Ceará ainda pode tornar essa modalidade mais cara. “Existe uma antipatia por parte do inquilino quando ele vai contratar esse seguro, porque funciona como um seguro de carro. Depois de um ano, não havendo nenhuma inadimplência, a seguradora não devolve o dinheiro. Para o conselheiro do Creci, Francisco Freitas, a tendência é que as seguradoras reduzam taxas para tornar o seguro-fiança mais atrativo.

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O INQUILINO


Após ficar noiva, a jornalista Luar Maria Brandão, 29, começou a procurar apartamento para alugar na área Meireles-Aldeota e escolheu pagar fiança com o limite aprovado no cartão de crédito. Ela e o noivo devem pagar cerca de R$ 100 além do aluguel, todo mês, como garantia de locação. “A gente avaliou que era melhor ter esse gasto parcelado, por mais que o dinheiro não volte. A primeira proposta (de aluguel) era R$ 1.400, mas baixou para R$ 1.200. A gente percebeu que maioria dos proprietários estão dispostos a negociar, desde que seja um preço real, sem tirar proveito”, relata.

 

AMANDA ARAÚJO

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