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Jornal

A invenção do Pedagômetro

Descubra como variáveis que envolvem de colaboratividade a juízo moral podem melhorar o ensino

21/01/2019 01:30:00
Muitos educadores se questionam quando é que uma prática educativa está realmente boa ou se atende aos propósitos educacionais para a aprendizagem significativa. Nesse sentido, iremos colocar algumas rubricas ou parâmetros que poderão ajudar a nortear uma boa atividade educativa, seja dentro ou fora de sala. Observe que nem todas as variáveis que serão citadas precisam estar sempre presentes em uma mesma atividade, mas quanto mais presentes, melhor. Tais variáveis figuram simbólica e hipoteticamente um medidor da qualidade das práticas educativas, o PEDAGÔMETRO.

 

Relevância. É importante que o educador consiga demonstrar a importância de  um tema/assunto para a vida. Correlacionar a aplicação de um conhecimento com a vida prática é fundamental para despertar o interesse.

 

Criticidade. A prática precisa estimular a elevação dos níveis de pensamento, de criticidade e refutabilidade, especialmente nos dias de hoje em que recebemos uma avalanche de informações diariamente e precisamos avaliar seus conteúdos com mais cuidado.

 

Constância. As práticas devem ter uma coerência de ritmo e frequência ao  longo de um tempo. Por exemplo, não adianta plantarmos árvores no "dia da árvore" com o propósito de elevar a conscientização ambiental se tal ação for feita de maneira isolada, em um dia no ano apenas. Ou seja, é preciso dar encaminhamentos, rotinas produtivas e acompanhamento caso queiramos o sucesso de determinados objetivos de aprendizagem.

 

Colaboratividade/Cidadania. O mundo está competitivo demais, não é? Mas o que mais ajuda o desenvolvimento civilizatório é a capacidade de cooperar uns com os outros para resolver os problemas societários comuns. Portanto, as escolas têm o importante papel de estimular a colaboração em detrimento da competição.

 

Conveniência. Os educadores precisam saber adequar corretamente as linguagens, níveis de conteúdos, metodologias e tecnologias utilizadas para cada caso concreto e com cada turma, pois as pessoas/turmas são diferentes e possuem peculiaridades educacionais. Portanto, o que funciona bem em uma sala, poderá ou não funcionar em outra sala de aula. Os limites e possibilidades conforme as necessidades, características, preferências, interesses, habilidades, ritmos e estilos de aprendizagem precisam ser conhecidos.

 

Criatividade / Divergenciabilidade. As práticas pedagógicas estimulam a criatividade ou o pensamento divergente dos alunos? Ou seja, a capacidade de encontrar soluções diferentes para os velhos problemas? Essa é uma questão essencial para resolvermos os inúmeros problemas sociais.

 

Autonomia. É importante que as atividades desenvolvam a capacidade de autonomia dos estudantes em construir seus próprios conhecimentos, para que eles "andem com as próprias pernas" e não fiquem esperando apenas os comandos do professor. Quanto mais diretiva for uma atividade, pior para a independência de pensamento e para a capacidade de aprender autonomamente.

 

Comunicabilidade. Potencializar a qualidade de conteúdo, formas e meios de comunicação é fundamental atualmente. Na era digital em que as possibilidades de transmitir mensagens são tão diversas e trazem tantas consequências, essa habilidade não pode ser esquecida pedagogicamente.

 

Contextualização/Problematização/Interdisciplinaridade. Saber contextualizar os conteúdos para o mundo real, pinçar problemas da realidade e discuti-los de forma interdisciplinar, contemplando diferentes perspectivas e níveis de pensamentos, é algo indiscutivelmente importante em um mundo complexo e plural.

 

Ludicidade. Quanto mais lúdicas, divertidas e envolventes forem as atividades educativas, maiores serão as chances de serem desfrutáveis e motivadoras para a aprendizagem. Estudos recentes confirmam que o "cérebro precisa se emocionar" para aprender. E nesse sentido, estão referidas as boas emoções, que trazem boas experiencias e boas memórias.

 

Juízo Moral. O estímulo ao desenvolvimento do raciocínio e a competência moral revelam-se igualmente relevantes aos demais parâmetros, pois a quantidade de dilemas morais e problemas de ordem ética que se apresentam diariamente é estarrecedor.

 

Poderíamos continuar elencando outras variáveis, mas consideramos essas as principais a serem contempladas em uma boa prática pedagógica e recomendamos que os educadores ponderem sobre contemplá-las em suas práticas pedagógicas de rotina.

 

Então, que tal aplicar os Pedagômetro na sua sala de aula?

 

Igor de Moraes Paim

Professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará - IFCE

Doutor em Educação

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