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Jornal

A carreira na PRF

As provas do concurso da PRF serão no próximo dia 3. O que os concurseiros precisam saber sobre a carreira e para passar!

01/02/2019 04:05:02
Kelly Lima está desde julho de 2009 na PRF
Kelly Lima está desde julho de 2009 na PRF (Foto: Mateus Dantas)

Fiscalização, patrulhamento, policiamento ostensivo, atendimento e socorro às vítimas de acidentes são algumas das atividades de um policial rodoviário federal. Com salário de R$ 9.473,57, o concurso de nível superior da Polícia Rodoviária Federal (PRF) é desejo de candidatos Brasil afora. O órgão tem um diferencial dos demais: o cargo de policial rodoviário federal é único. E isso não quer dizer que o profissional não terá opções, pois há inúmeras possibilidades de atuação para garantir o bem-estar das pessoas que transitam nas rodovias federais do País.

De modo geral, o cargo único significa que dentro do órgão não existe "patentes", como ocorre em outras forças policiais. Mas, é possível se especializar de acordo com as suas afinidades. Por exemplo, a policial rodoviária federal Kelly Lima, 34, já trabalhou como guia de cães farejadores de drogas. "Há quem goste da fiscalização ambiental, extração de madeira, tráfico de animais, atendimento de acidentes. Tem essa liberdade para atuar como você prefere, com uma certa autonomia."

Outra diferença em relação às demais forças é que a maioria das abordagens não são a bandidos, mas a cidadãos, explica o PRF Karlos Derickson Figueiredo, 36. "A carreira é bem dinâmica, nós trabalhamos em escalas de 24 horas, você lida com várias situações, porque a fiscalização pode culminar em encontrar drogas, armas e animais silvestres contrabandeados. Temos policiais que têm preparação para fiscalização de produtos perigosos, de transporte de passageiros etc", explica ele.

Na PRF desde julho de 2009, Kelly havia acabado de se formar em Medicina Veterinária quando viu o edital do concurso na mesa de cabeceira do pai. Inicialmente, foi alocada no Pará e passou por duas cidades de Santa Catarina antes de retornar ao Ceará. O mesmo ocorreu com Karlos, também cearense, ele trabalhou no Rio Grande do Sul e no Interior do Ceará até conseguir vaga em Fortaleza.

A procura por capitais, geralmente, é maior, então o profissional precisa estar aberto às mudanças de cidades, em regiões muito diferentes. É o que alerta o professor e coordenador da área policial do Estratégia Concursos, Paulo Bilynskyj. "O mesmo policial que vai trabalhar no sul do País hoje, amanhã vai trabalhar no Nordeste. Necessariamente é um profissional flexível, vai encontrar diversos tipos de ocorrências", aponta.

Delegado de Polícia Civil no estado de São Paulo, Bilynskyj atuou junto a PRF por muitos anos, no trecho da BR-116 que liga a capital paulista a Curitiba. "É um trabalho que acontece em regime de plantão, não é para qualquer um. Eu recomendo que o candidato tente conhecer um posto da PRF para saber como é o dia a dia".

A rotina ainda exige bastantes conhecimentos jurídicos, o que levou Kelly a se formar em Direito e, agora, fazer mestrado em Direito Constitucional. "Querendo ou não, estamos entrando na liberdade e no direito do cidadão e, em determinados momentos, restringindo esses direitos para privilegiar outros", explica ela.

Os policiais rodoviários federais fazem, anualmente, cursos de capacitação. "Quando as pessoas perguntam sobre a profissão vem em mente a questão da estabilidade, mas é preciso ter a vocação para servir, o próprio termo diz, atender bem nosso cliente que é a sociedade. Tem que ter coragem porque a gente mora em um País com violência alta, coragem para enfrentar e se dedicar, dar a vida para proteger a coletividade", descreve Karlos.

A policial Kelly concorda: "É gratificante, principalmente o auxílio ao usuário, a gente se depara com famílias que estão viajando em local perigoso, às vezes mulheres que estão em trabalho de parto. No atendimento de acidente a gente é o primeiro a chegar a depender da região, porque a PRF é o braço do Estado".

O coordenador de área policial do Estratégia Concursos ainda lembra que a PRF possui uma estrutura boa, com "as melhores viaturas, melhores armas e melhores equipamentos". "A PRF tem um caminhão raio X que consegue enxergar o que tem dentro dos carros. A tendência é que seja ainda mais valorizada no governo atual por causa do controle das fronteiras, entendemos que devem ocorrer novos concursos, esse é só o primeiro", completa.

Edital

https://bit.ly/2SeILKT

O que estudar

A primeira etapa do concurso da PRF será composta de prova objetiva e prova discursiva, com duração de quatro horas e 30 minutos. Os conhecimentos são divididos em três blocos, o primeiro deles inclui 50 questões de língua portuguesa, raciocínio lógico, informática, física, ética no serviço público e geopolítica brasileira.

O coordenador de coach do Estratégia Concursos, Luis Eduardo Pereira, acredita que as disciplinas de português e matemática terão mais questões que as demais. "Elas devem compor metade da pontuação do bloco um, então é importantíssimo estudar. A parte de história é um assunto novo, que o aluno pode estudar em poucos dias, deve vir uma a três questões".

No bloco dois, vários tópicos de legislação poderão ser cobrados, mas de forma mais estratificada. "A prova é naquele estilo certo e errado, geralmente a banca realizadora aborda em uma questão um assunto muito pontual, diferente de outras bancas, que colocam alternativas e vão destrinchando esse tema", explica Eduardo. Por último, vem o bloco três, com apenas 30 questões de assuntos relacionados ao Direito e à Cidadania. "Cada disciplina deve ter uma média de cinco questões, é uma quantidade bem inferior às demais."

Os últimos concursos da PRF foram realizados em 2013 e em 2019, quando foram abertas 1000 e 750 vagas, respectivamente. "Eu já ouvi algumas vezes que depois de um tempo você fica mais experiente e mais tranquilo, comigo nunca foi assim, quanto mais preparado, mais eu pensava agora é minha vez, e eu me cobrava mais. O importante é reconhecer que você vai estar nervoso, e assim deve tomar mais cuidado com alguns pontos, encontrou uma questão difícil, pula e vai para a próxima", recomenda o professor.

Exame de capacidade física

Além do conteúdo teórico, os candidatos às vagas de policial rodoviário federal farão exame de capacidade física. Homens e mulheres terão que apresentar desempenho nos teste de flexão, de impulsão horizontal, de flexão abdominal e de corrida (12 minutos). O ideal, segundo o educador físico Maricélio Correa, é iniciar a preparação com antecedência e ter acompanhamento de um profissional. "O treino é montado de acordo com a individualidade da pessoa, é feita uma avaliação para que o candidato consiga completar as repetições, não é só chegar e se pendurar na barra", avisa.

500

Vagas

R$ 9.473,57

É o salário inicial de policial rodoviário federal

40h semanais

É a jornada de trabalho do concurso da PRF

AMANDA ARAÚJO

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