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Os Impactos das Redes Sociais

Uso, limites e possibilidades e potenciais pedagógicos devem ser discutidos

01:30 | 10/09/2018
Getty Images/iStockphoto
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Em toda história humana, nunca vivemos uma época com tantos estímulos, intensidades, provocações, desafios e com tanta polifonia de mensagens. É claro que as redes sociais figuram como parte importante da atratividade dessa era digital, pois compreende não apenas um espaço de convivência, mas também, em certa medida, de realização de desejos e de espetacularização da vida. Ou seja, a sociedade contemporânea, além de ser alcunhada como digital, também pode ser chamada de sociedade do prazer, do espetáculo, ou ainda, do consumo por alguns autores.

Nesse sentido, é preciso entender que as crianças e adolescentes, típicos nativos digitais das gerações Y, Z ou alfa, compreendem redes sociais com grande naturalidade e não percebem nelas nenhum tipo de problema. É natural dessas gerações o entendimento do mundo pela digitalização da vida, pela contração do espaço e do tempo e pela "velocidade do Google". Entretanto, o que as redes sociais trazem de diversidade de informações, podem perder em profundidade e confiabilidade; no que impactam pela alta velocidade de apresentação dessas informações, podem perdem na reflexão do sentido e utilidade das mesmas; no que trazem de possibilidades de novos contatos, podem perdem na qualidade das relações humanas estabelecidas; no que oferecem de promessas para uma vida mais vibrante, colorida e intensa, podem perdem por criar ilusões e dependências por aprovações externas. Portanto, é possível perceber a grande extensão e complexidade do impacto dessas redes na educação, pois ao se misturarem a vida das pessoas, chegam aos bancos da sala de aula e ficam lado a lado com os professores e alunos no mesmo ambiente, servindo para os estudantes como fonte de informação, credibilidade e atenção constantes.

Nesse sentido, as redes sociais figuram como um desafio para a educação, pois ao mesmo tempo em que se revelam altamente intuitivas, atraentes, fluentes e, dessa forma, um forte distrator atencional na sala de aula, também podem se revelar como um poderoso instrumento para reflexão, ação e motivação dos estudantes. Por exemplo, é possível empregar o Facebook para a criação de campanhas educativas, com uma diversidade de temas relevantes, tais como: preservação do meio ambiente, campanhas de sensibilização e de contestações diversas (ex: contra o feminicídio, racismo, homofobia, corrupção...); campanhas para realização de obras sociais; para estimular a leitura; para divulgar informações de utilidade pública, entre outras. Ou seja, é possível canalizar o potencial do facebook para disseminação de mensagens e informações importantes ao processo civilizatório, pari passu com o desenvolvimento da aprendizagem colaborativa, crítica, contextualizada, problematizadora e interdisciplinar.

Quando se trata de Twitter, a possibilidade também pode ser igualmente válida no que diz respeito a campanhas educativas, porém também podem ser feitos trabalhos de micro-contos seriados, ou seja, estimular os alunos a construírem dia após dia ou semana após semana, a contação de histórias, construção de contos, poemas..., sem perder de vista as regras gramaticais e o bom uso do vernáculo.

Outra forte ferramenta é o YouTube, capaz de servir como ambiente para divulgação de vídeos educativos em múltiplas modalidades: minidocumentários, entrevistas, jornalismo escolar, peças teatrais, entre outras. Sendo assim, percebe-se que a potencial educativo das redes é extraordinário, mas é preciso planejamento, organização e senso de propósito ético para o melhor emprego, com benefícios para a sociedade e para a aprendizagem dos estudantes. Alguns professores têm investido de maneira muito acertada no desenvolvimento de videoaulas veiculadas pelo YouTube, isso é ótimo! Contudo também poderiam empregar uma ferramenta útil conhecida como EDPUZZLE, que permite integrar vídeos com questões, comentários, notas de áudio e dentro de uma sala virtual. Dessa forma, pode-se potencializar a qualidade da aprendizagem através das videoaulas.

Portanto, recomendo a todos os pais, professores e educadores em geral que discutam e trabalhem com seus estudantes o tema das redes sociais, nas dimensões de reflexão quanto ao uso, limites e possibilidades, bem como, aos formidáveis potenciais pedagógicos. É possível sim, ressignificar o uso do smartphone e das redes sociais em sala de aula e impactar positivamente a aprendizagem do estudantes, permitindo níveis mais maduros e qualificados de utilização das mesmas.

 

Igor de Moraes Paim

Doutor em Educação (UNESP - Marília)

Professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará - Campus Umirim