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Entre tesouras e pincéis

O mercado de trabalho da beleza cresce na contramão da crise. Saiba quanto você pode ganhar atuando no segmento e o exemplo de quem se dá bem na área

01:30 | 10/09/2018
Manu Feitosa fez curso de Visagismo no Senac, ciência de estudo da harmonia do rosto, além de aulas com maquiadores profissionais  Camila De Almeida
Manu Feitosa fez curso de Visagismo no Senac, ciência de estudo da harmonia do rosto, além de aulas com maquiadores profissionais Camila De Almeida

O salão de beleza ficou pequeno para tanto profissional. Cabeleireiros, designer de sobrancelhas, maquiadores, manicures e pedicures, depiladores e barbeiros. O mercado de trabalho da beleza resiste ao tempo, reinventa-se, procura se adaptar aos novos consumidores, desdobra funções e só cresce.

O segmento de saúde, beleza e bem-estar foi o que mais cresceu em faturamento em 2017 (12,4%), segundo a Associação Brasileira de Franchising. Foram mais de R$ 30 bilhões em todo o ano. Em valores totais, fica atrás apenas do segmento de alimentação (R$ 42 bilhões).

A barbearia é um ramo que entrou nessa alta. Em 2017, os amigos Ruberval Arruda, 26, e João Meneleu, 32, abriram a Seu José Barbearia (@seujosebarbearia), na Parquelândia. Depois de um intercâmbio na Irlanda, Ruberval quis trazer o conceito dos estabelecimentos de lá para Fortaleza. "A gente fez uma pesquisa básica, viu que o mercado da beleza continuava crescendo, que era um mercado relativamente fácil de investir e tinha um retorno bom", conta.

O investimento inicial dos sócios foi de R$ 200 mil. Hoje chegam a atender 800 clientes por mês, número que supera as expectativas iniciais. "Ainda é um segmento que dá para investir, mas é preciso ter um diferencial. Se continuar abrindo barbearia com a mesma coisa, as que vão ficar são as que já existem", alerta Ruberval, que dá a dica para as outras áreas do setor. Os empresários incluíram na barbearia, por exemplo, serviços como a barba terapia, processo de selagem térmica para alisamento de cabelo, além de sinuca e um estúdio de tatuagem.

E apesar de não serem da área (Ruberval é estudante de engenharia ambiental e João é publicitário), resolveram fazer um curso de barbeiro antes de iniciar o negócio. "Foi mais para ter uma orientação de como iríamos abordar os profissionais, a linguagem dos barbeiros, o que era um degradê, o pezinho do cabelo, ter propriedade do assunto", diz.

A vaidade masculina aumenta, o número de serviços para esse público também, e mais gente encontra oportunidade na área. O Instituto Embelleze, especializado em cursos de beleza, com filial em Fortaleza e mais de 400 franquias pelo País, formou mais de 100 mil barbeiros nos últimos três anos em todo o Brasil. Quem revela os números é o gerente de marketing do Instituto, Eduardo Costa, que acredita que o segmento de beleza tem sido uma saída diante da recessão econômica, além de ser um solo fértil ao empreendedorismo. "As pessoas fazem os cursos de beleza para terem uma renda extra, mas acabam vendo que pode ser sim uma carreira, a primeira profissão", ressalta.

Eduardo destaca o curso "Cabeleireiro Profissional Academy Hair", que dura 14 meses, em que os alunos ganham um kit de produtos para já começar a trabalhar, chegando a até R$ 2 mil de renda mensal. Depois de formado, o ganho pode variar de R$ 3 mil a 5 mil por mês. A mensalidade do curso custa em torno de R$ 270. "A tendência é de os alunos procurarem cursos mais curtos, como o de design de sobrancelhas, que garante rentabilidade mais rápido. Depois, eles acabam investindo nos mais longos", diz.

Outra área em alta é a maquiagem, que ganhou mais espaço com as redes sociais. Com experiência na área de Marketing, a maquiadora Manu Feitosa (@manufeitosa), 38, iniciou as habilidades com os pincéis e bases em 2010. "Comecei a dar curso na casa das clientes de automaquiagem, ensinar como usar os produtos que elas tinham. Montei apostila, levava espelho, tinha toda estrutura. Depois, a pedido delas, comecei a atender em domicílio, fazer maquiagens para casamentos, 15 anos... Até hoje", conta.

O investimento inicial de Manu foi de R$ 3 mil e ela calcula que a reposição e compra de novos produtos custe cerca de R$ 2 mil por ano. Hoje ela atende por volta de 50 clientes por mês, com ganho médio de R$ 10 mil mensais. "Ser maquiadora é um trabalho sério, desgastante. A gente trabalha enquanto está todo mundo se divertindo. Então tem que abdicar de muita coisa e ter paciência", destaca. Ela critica a glamourização da profissão. "Hoje qualquer um pega um pincel e se diz maquiadora. Não é assim."

Para se especializar, Manu fez curso de Visagismo no Senac, ciência de estudo da harmonia do rosto, além de aulas com maquiadores profissionais como Juliana Rakoza e Junior Mendes. Hoje ela também trabalha com micropigmentação de sobrancelha em parceria com uma clínica de estética em Fortaleza.

"Na área da beleza, as pessoas fazem um itinerário de formação. Uma pessoa que opta pelo curso de manicure, ela faz também o de depiladora, depois o de maquiador", explica Alcilane Costa, gerente do Senac Centro. Segundo ela, o perfil de quem faz os cursos ainda continua sendo maioria mulher, mas o número de homens tem crescido. E há, por exemplo, mulheres fazendo curso de barbeiro também.

Dicas

1 - Invista em eventos no seu salão de beleza ou espaço alugado. Em dias de pouco movimento, reúna os clientes para dar cursos de automaquiagem, por exemplo.

2- Procure oferecer diferentes tipos de serviço em dias distintos. Um dia você ajeita o cabelo do cliente, em outro faz uma limpeza de pele. Isso só é possível com a capacitação.

3 - Cuidado com a gestão das redes sociais. Dedicar muito tempo a canais no YouTube e Instagram pode atrapalhar seu trabalho na vida real. Veja suas prioridades.

4 - O mercado masculino está em alta. Invista em serviços para esse público, como combos de cabelo, unha e barba, por exemplo.

5 - Vá além da beleza. Ofereça um espaço que garanta o bem-estar do seu cliente, que ele se sinta à vontade e relaxado. Lembre-se que você está trabalhando diretamente com autoestima.

 

LUAN CARVALHO