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Maio de 68: É Proibido Proibir

01:30 | 21/05/2018

Há exatos 50 anos, na década de 60, um movimento varreu o mundo, iniciado na Europa, precisamente na França, o chamado Maio de 68 foi um turbilhão desenvolvido por estudantes da Universidade de Paris, pedindo reformas no setor. Estava acontecendo uma desconstrução generalizada, onde jovens estavam deixando de seguir os passos de seus pais para ter autonomia em suas decisões e novas concepções de mundo estavam sendo propagadas.
Ganhando a simpatia dos trabalhadores, o movimento deu origem a uma greve geral que paralisou mais de 9 milhões de pessoas, abalando as bases políticas do governo do presidente Charles De Gaulle, general, herói de guerra, que renunciou em 1969. 


A onda de protesto, iniciada em 2 de maio, fez com que a administração da universidade decidisse fechar a instituição e ameaçou expulsar vários estudantes acusados de liderar o movimento. As medidas provocaram a reação imediata dos alunos de uma das mais renomadas universidades do mundo, a Sorbonne, em Paris. Aconteceu a ação violenta da polícia contra os estudantes.
 

O governo utilizou uma manobra política para desmobilizar os estudantes. Muitas promessas como de aumentos salariais, gerando o retorno dos operários às fábricas, fazendo com o governo retomasse o controle da situação.

 

Na década de 1960, o mundo estava no auge da Guerra Fria, golpes ditatoriais eclodiam em várias partes do mundo, além de conflitos armados como a Guerra do Vietnã, criação do Muro de Berlim e crise dos mísseis em Cuba, que quase provocava a Terceira guerra Mundial.  

 

CULTURA E SOCIEDADE
 

No Plano cultural o movimento da contracultura irá dominar. O surgimento do feminismo e os movimentos civis em favor dos negros e homoafetivos irão dar a tônica para as reivindicações nos anos seguintes.
 

Foi assim que movimentos como os hippies, contrários à Guerra Fria e do Vietnã, surgem para encabeçar os ideais pacifistas da época.
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Um conjunto de manifestações surge em diversos países. Essa manifestações decorrem dos movimentos pelos negros (black power), dos movimentos pelos gays (gay power) e pela igualdade de estatuto entre os gêneros (women’s lib).
 

Sem espanto, a rebeldia dos anos 60 terá seu ápice em 1968 quando diversos movimentos estudantis pelo globo tomam conta das ruas para contestar a sociedade vigente.  

 

PARA ASSISTIR
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NOITES LONGAS E MANHÃS BREVES (1978)
 

Direção: William Klein
Origem: Canadá/ França
Maio de 1968 – os símbolos da autoridade são contestados por milhões de grevistas e de estudantes. William Klein filma dia a dia as assembleias, os debates improvisados, as manifestações, as barricadas, os confrontos de rua, as palavras, a utopia em marcha. As esperanças, as ilusões, a resignação e os equívocos. Esta é uma crônica apaixonante que alia o calor do cinema direto com recuo irônico e crítico. Filmado câmara à mão, eis o documento mais precioso, mais justo e mais perturbador sobre a grande revolta francesa do século XX.

FONTE: HTTP://CINEPLOT.COM.BR/INDEX.PHP/2016/10/20/15-FILMES-SOBRE-MAIO-DE-68/ 

 

E JÁ CAIU NO ENEM!
 

O ano de 1968 ficou conhecido pela efervescência social, tal como se pode comprovar pelo seguinte trecho, retirado de texto sobre propostas preliminares para uma revolução cultural: “É preciso discutir em todos os lugares e com todos. O dever de ser responsável e pensar politicamente diz respeito a todos, não é privilégio de uma minoria de iniciados. Não devemos nos surpreender com o caos das ideias, pois essa é a condição para a emergência de novas ideias. Os pais do regime devem compreender que autonomia não é uma palavra vã; ela supõe a partilha do poder, ou seja, a mudança de sua natureza. Que ninguém tente rotular o movimento atual; ele não tem etiquetas e não precisa delas”. 


Journal de la comune étudiante. Textes et documents. Paris: Seuil, 1969 (adaptado)

Os movimentos sociais, que marcaram o ano de 1968,

 

A. foram manifestações desprovidas de conotação política, que tinham o objetivo de questionar a rigidez dos padrões de comportamento social fundados em valores tradicionais da moral religiosa.
 

B. restringiram-se às sociedades de países desenvolvidos, onde a industrialização avançada, a penetração dos meios de comunicação de massa e a alienação cultural que deles resultava eram mais evidentes.
 

C. resultaram no fortalecimento do conservadorismo político, social e religioso que prevaleceu nos países ocidentais durante as décadas de 70 e 80.
 

D. tiveram baixa repercussão no plano político, apesar de seus fortes desdobramentos nos planos social e cultural, expressos na mudança de costumes e na contracultura.
 

E. inspiraram futuras mobilizações, como o pacifismo, o ambientalismo, a promoção da equidade de gêneros e a defesa dos direitos das minorias.

Resolução: Na década de 1960, o mundo sofreu o auge da guerra fria, golpes ditatoriais eclodiam em várias partes do mundo, além de conflitos armados como a Guerra do Vietnã. Nesse momento, vários questionamentos à ordem vigente começaram a surgir principalmente entre os jovens. Dessa maneira, em maio de 1968, uma onda de insatisfação popular iniciada pelos estudantes varreu a França e se espalhou por todo o mundo e por outros segmentos sociais. Além da busca de melhorias na educação e nos direitos civis, estes pregavam a liberdade sexual, a paz, o fim da discriminação social e a proteção ao meio ambiente que inspiraram vários outros movimentos como o movimento hippie, por exemplo.  

 

PRATIQUE A REDAÇÃO
 

Com as histórias contadas, por que não fazer uma redação com esses temas?
 

• Os limites da liberdade de expressão
• A importância do movimento feminista na luta pelos direitos das mulheres
• O cenário de redemocratização em construção no Brasil 

 

CONSUMO EM ALTA
 

A década de 1960 caracterizou-se pelo fortalecimento dos movimentos de esquerda nos países do Ocidente, tanto no plano político, quanto no ideológico.
 

Nessa altura há um desdobramento de projetos culturais e ideológicos alternativos lançados durante os anos 50. É o caso da explosão do consumo ocasionada pela prosperidade dos países ricos.  

 

MÚSICA
 

Os Beatles e The Rolling Stones são os ícones da música nos anos 60, enquanto Bob Dylan representa a música de protesto.
 

No Brasil, Elis Regina inaugura a Música Popular Brasileira (MPB) em 1965, quando interpreta Arrastão, de Vinícius de Moraes e Edu Lobo. O movimento é consolidado no Festival de Música Popular Brasileira da TV Record.
 

Dois anos depois, em 1967, surge a Tropicália, de Caetano Veloso e Gilberto Gil e Os Mutantes, com Tom Zé e Torquato Neto.
 

A Jovem Guarda ditava o figurino e fazia sucesso na televisão.  

 

POLÍTICA
 

• No que tange aos aspectos simbólicos, podemos destacar a construção do Muro de Berlim em agosto de 1961.

• Em termos geopolíticos, o dia 5 de junho de 1967 ficou marcado pelo ataque de Israel as forças da Síria, Egito e Jordânia, iniciando a Guerra dos Seis Dias.

• No Brasil, inaugurada a cidade de Brasília em 21 de Abril de 1960, a nova capital. No ano seguinte, João Goulart virou o primeiro presidente trabalhista, mas foi deposto pelo Golpe Militar de 1964, que inaugura um novo período ditatorial na história brasileira.  

 

ANDRÉ ROSA
HISTORIADOR
andrerosa@opovo.com.br

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