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A pressão positiva existe

01:30 | 14/05/2018
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Muitas vezes, o que está sendo exigido dos profissionais está acima do que se pode fazer, mas há maneiras de tornar isso um estímulo à carreira. Entre elas, definir prioridades, cuidar da saúde, treinar a inteligência de mercado e também se apropriar de tecnologias de organização, como o Trello. “Se não é possível se livrar, é preciso lidar. Do contrário, (a pessoa) vai acabar adoecendo de forma física ou emocional, e as empresas podem estar perdendo um grande profissional porque não soube conduzi-lo ou capacitá-lo a administrar essa pressão”, explica o coach master Jean Araújo.


Sócio-gerente de uma empresa de produtos ortopédicos, Klayton Nojoza, 35, foi um dos profissionais atendidos pela Duo Training. “As pessoas chegam aqui precisando de ajuda para resolver dor ou o problema ortopédico do seu filho. Absorvemos isso, o que estressa bastante”, afirma. A partir do maior controle emocional conquistado, ele percebeu mudanças drásticas em sua vida. Ficou mais produtivo e ganhou tempo para aumentar a carga dedicada a exercícios físicos e cursos de profissionalização.


Pela experiência de Jean, o primeiro passo para a mudança é entender, de fato, a diferença entre o privado e o profissional. “Parte racional (do cérebro) só atende por 5 a 10% das nossas ações, 95% em alguns casos das decisões estão todas no âmbito emocional, eu falo de memórias que o cérebro carrega. Quem de fato realiza é nosso lado emocional, a nossa criatividade emocional, mas juntando racional e o emocional, você decola e ninguém te segura”.


Até um problema de relacionamento entre colegas pode gerar pressão e, a depender da hierarquia, criam-se formas de autoboicote no trabalho, dialoga a especialista em Psicologia das Relações Humanas, em Administração do tempo e sócia executiva da Et Cetera Saberes, Carmen Lima. “Uma das maneiras para a gente conseguir utilizar a pressão como algo positivo é trabalhar com o engajamento dos profissionais para que eles se percebam como equipe. Outra forma é tentar conciliar as habilidades, as aptidões, os pontos positivos dos indivíduos”.


DE QUEM É A RESPONSABILIDADE?

O vice-presidente da região Nordeste da ANAMT, Glauber Paiva, considera que todas as profissões têm suscetibilidades momentâneas e precisam de prevenção. E isso do motorista de coletivo, que trabalha sob um intenso estresse com tráfego de passageiro, até o profissional que trabalha em um serviço médico, com vários plantões. “O médico do trabalho, ele sozinho não vai resolver o problema, tem que dividir essa responsabilidade com os Recursos Humanos, a própria administração da empresa e a chefia imediata”.

DICAS


1

Definir prioridades. Não dá para abraçar o mundo, então organizar uma agenda de prazo ajuda a acompanhar as demandas diversas;

2

Cuidar da saúde. A pressão pode trazer mau humor, enxaqueca, depressão e até problemas físicos. Exercícios para produzir endorfinas e técnicas de meditação são úteis;

3

Dividir tarefas. É importante planejar em equipe as metas e verificar a habilidades dos colegas. O melhor de cada um pode ser aproveitado;

4

Desligar-se. Não deixar de aproveitar os momentos prazerosos por causa de trabalho.

5

Respeitar os limites. Cada pessoa tem um nível de tolerância, para alguns a pressão os faz produzir melhor, outros não.

 

GABRIELLE ZARANZA

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