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Faro para empreender

Administradores, Guilherme e Hugo Quinderé transformaram uma loja multimarca em uma marca autoral e quadruplicaram de tamanho em quatro anos

01:30 | 02/04/2018
GUILHERME E HUGO QUINDERÉ investiram no segmento de calçados e já desenham franquias fora do Ceará MARCELO GOMES
GUILHERME E HUGO QUINDERÉ investiram no segmento de calçados e já desenham franquias fora do Ceará MARCELO GOMES

O assunto que a loja de moda masculina Jef do shopping Del Paseo estava à venda surgiu casualmente em um almoço em que Guilherme e Hugo Quinderé discutiam com o arquiteto, que era um dos donos da Jef, o projeto da loja de decoração Inlight. Os dois que já eram clientes se tornaram proprietários no final de 2014, movidos pela paixão de Hugo por calçados. Assim, tornaram a loja multimarca de moda masculina em uma marca com calçados próprios, e expandiram para o Iguatemi, o RioMar Fortaleza e o Pátio Dom Luís.

Os irmãos, formados em Administração, tiveram as expectativas superadas com o negócio. “A gente se apaixonou pelo varejo de moda, principalmente, porque a gente percebeu que a gente conseguia transformar o homem muito rápido. O cara ia para a reunião e através do sapato se sentia mais confiante e a gente entendeu que a moda, não era só se vestir, era um mecanismo em que a pessoa pode crescer”, afirma Guilherme Quinderé, 35, gestor da área comercial.

Por coleção, são lançados cerca de 180 modelos. “O processo criativo parte do zero. A gente se baseia no cotidiano e transforma de maneira muito autoral, riscando a canetinha mesmo”, conta.

Quando surgiu a oportunidade de assumir a Jef, Guilherme e Hugo já possuíam 15 anos de experiência de mercado, mas no ramo de decoração com a loja Inlight. A rotina é puxada para dar conta, chega a 14 horas diárias de trabalho. “A gente começa o dia aqui no escritório. É onde a gente vai analisar os números, conversar sobre os resultados, vai passar feedback para as equipes, vai traçar estratégias do trimestre, do semestre, do ano. Obrigatoriamente, todo dia a gente visita alguma das lojas”, explica Guilherme.

Nas épocas mais movimentadas do ano, os irmãos atuam na linha de frente e participam das vendas também. Para Guilherme, ser um bom empreendedor é conhecer o seu negócio profundamente. “Tem que saber que vai ralar muito, tem que saber que vai acordar mais cedo, dormir mais tarde. Gosta de trabalhar sábado e domingo? Pode ser que você não dê para o negócio. Acho que é muito mais compreender que não tem tanto glamour quanto parece. Para a gente, glamour é zero. Dia de 31 de dezembro, às 18 horas, a gente estava com a equipe. Tem que estar disposto a pagar o preço”, orienta Guilherme. “O que suaviza isso tudo é o prazer”, completa Hugo.

 

MULTIMÍDIA

Confira o vídeo sobre a trajetória empreendedora de Hugo e Guilherme Quinderé em: https://bit.ly/2Fq8ZYK

 

 

BATE-PRONTO: PÉS NO ALTO

 

COMO VOCÊS SE MANTÊM ATUALIZADOS DO MERCADO?

Guilherme: As viagens trazem muitas referências. Japão, Europa e Estados Unidos são grandes polos de moda. África do Sul, foi uma viagem diferente que a gente conseguiu ver como é que é a moda lá. Tem também muito da intuição. A ousadia para a criatividade é a grande chave para a gente apresentar para o mercado um sapato como a Jef apresenta. Referências de viagens, intuição, ousadia e criatividade. Pega esses ingredientes e bota em um caldeirão: o sapato sai muito bacana.

QUAIS OS PRÓXIMOS PASSOS QUE PRETENDEM DAR?

Hugo: A gente deve expandir para três regiões aqui no Nordeste. Na realidade, está vindo de lá para cá. O planejamento da franquia veio através da cobiça de algumas pessoas com a marca, convidando a gente para levar a marca. “Eu sou de São Luís, quero levar a marca de vocês para lá. Como é que eu faço?”. A gente entendeu que devia puxar o freio de mão, se profissionalizar. A expansão estava ocorrendo por recursos próprios, mas a gente entendeu que para chegar chegando de maneira mais forte seria através de uma personalidade que já reside lá no local. Então, vamos dividir as responsabilidades. Eu prefiro ter um franqueado na região X, porque ele vai representar a empresa como um dono.

QUAL FOI O PONTO ALTO DA CARREIRA?

Guilherme: Para mim, o ponto mais forte foi a gente não conhecer o segmento de moda e pular nele de cabeça. Esse foi o grande ponto. Foi coragem. Hoje a gente respira até debaixo d’água. Essa história de varejo de shopping, de varejo de moda. Não foi o ápice do sucesso, mas o ápice de conseguir mudar e entender que você pode conseguir realizar outras coisas se você se colocar numa posição de querer, mergulhar, focar e vencer. Outro ponto legal é perceber como a gente consegue mudar a vida das pessoas. Pega um vendedor que entrou na loja de ônibus e agora está de moto ou carro, pega o gerente que comprou a casa.

 

LORENA MARCELLO