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Jornal
Olimpíadas

Os bons frutos do ensino

Projeto Cactus atua desde 2014 no interior do Ceará promovendo oportunidades de educação de qualidade e impulsionando a carreira e o futuro de jovens

David Araújo e Antonio Miguel, de Tauá, bolsista do Colégio Ari de Sá após aprovação no Primeira Chance
David Araújo e Antonio Miguel, de Tauá, bolsista do Colégio Ari de Sá após aprovação no Primeira Chance

O projeto Cactus atua desde 2014 no interior do Ceará potencializando a educação de estudantes do ensino público e mudando a vida de muita gente. Anualmente, cerca de 300 jovens são treinados para participar de Olimpíadas pelo País com aulas promovidas pelo projeto, sempre aos sábados. Em 2018, foram 18 estudantes premiados na Olimpíada Brasileira de Robótica (OBR), 20 na Canguru Matemático sem Fronteiras, 41 na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) e 54 na Olimpíada Brasileira de Astronomia (OBA).

Tudo começou quando David Araújo, ex-aluno do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e natural de Tauá, decidiu retribuir à cidade todo o conhecimento que havia adquirido. E foi assim que surgiu a ideia do Cactus. Na escola em que a mãe dava aula e com os próprios recursos, David elaborou a primeira olimpíada da cidade e as apostilas fornecidas aos estudantes.

Os bons resultados dos alunos nas olimpíadas nacionais após o projeto e o cuidado de David de procurar auxílio da Prefeitura, visitar cada sala de aula e conversar com as famílias, resultou na expansão do projeto para outros dois municípios cearenses, sendo organizados por jovens com uma trajetória muito parecida com a de David: estudantes que saíram de seus interiores por meio de oportunidades únicas de educação.

"Eu quero que as crianças do meu Estado tenham as mesmas oportunidades que eu tive, eu sempre batalho por isso. Meu grande sonho é voltar para o Ceará e me dedicar 100% a transformar a educação. Infelizmente, o Estado às vezes vacila e não dá oportunidade a todos, e eu, como cidadão que tive essa oportunidade, tenho que retribuir", declara David, que hoje coordena uma startup em São Paulo.

O projeto em Capistrano começou em 2016 e é tocado por Victor Hill, bolsista do Insper, em São Paulo. Já em Jijoca de Jericoacoara, o Cactus começou em 2018 e é organizado por Jefferson Vianna, atual Presidente do Cactus e bolsista da Nova School of Business and Economics (SBE), em Portugal.

Em cada um desses municípios, o projeto promove aulas com professores voluntários ou disponibilizados pelas Prefeituras parceiras voltadas para olimpíadas. O principal objetivo do Cactus é preparar os alunos para o processo seletivo da ONG Primeira Chance, composto por inscrição, prova e entrevista de pais e alunos na Capital cearense. A ONG seleciona alunos no interior para receber bolsa integral de estudo nos Colégios Ari de Sá e Farias Brito, em Fortaleza, a partir do nono ano. Em 2018, dos 10 alunos selecionados pela ONG, cinco eram do Cactus. 

Este ano, além dos três principais voluntários de cada cidade, o Cactus conta com uma estrutura de diretorias responsáveis por áreas como pedagogia, conteúdo e marketing, além de parcerias com diferentes empresas que ajudam a financiar os custos dos projetos. O objetivo é conseguir a formalização em maio. As atividades já começaram a se expandir para outros dois municípios: Acaraú e Cruz.

Para Jefferson, o principal segredo do sucesso do Cactus é a motivação depositada em cada aluno. "O que eu percebi é que as aulas não dão medalhas para os alunos, elas potencializam o aluno, mas o que dá medalha é o aluno compreender que ele consegue fazer aquilo, compreender o significado daquilo. Se preparar mais, e eles não estão errados de, muitas vezes, não se dedicarem mais, porque ninguém nunca chegou para gente e explicou por que que aquilo valia muito a pena. Eles nunca tiveram o exemplo de alguém conseguindo aquilo. Então o que a gente fez bastante foi dar esses exemplos. Eles olham para os colegas que conseguem as coisas e veem que eles podem também", acredita Jefferson.

Letícia do Vale

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