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Suu Kyi comparece a tribunal pela primeira vez desde o golpe em Mianmar e desafia generais

As forças de segurança foram mobilizadas ao redor do tribunal, especialmente instalado na capital, Naypyidaw, para julgar a ex-chefe de Governo.
08:18 | Mai. 24, 2021
Autor AFP
Tipo Notícia

A ex-dirigente birmanesa Aung San Suu Kyi, que recebeu várias acusações da junta militar, compareceu nesta segunda-feira (24) pela primeira vez a uma audiência presencial em um tribunal desde o golpe de Estado e desafiou os generais que derrubaram seu governo.

 

As forças de segurança foram mobilizadas ao redor do tribunal, especialmente instalado na capital, Naypyidaw, para julgar a ex-chefe de Governo.

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Aung San Suu Kyi, de 75 anos, que está em prisão domiciliar e não é vista em público desde sua detenção no dia 1º de fevereiro, parece estar em "boa saúde", afirmou à AFP sua advogada Min Min Soe, que teve uma reunião de 30 minutos com a cliente ao lado de outros advogados.

 

Antes da audiência, ela expressou um tom desafiador com a junta, ao afirmar que seu partido, a Liga Nacional para a Democracia (LND), "existirá enquanto o povo existir, porque foi fundado para o povo", segundo a advogada.

 

Os generais ameaçam dissolver o partido, que venceu as eleições legislativas de 2020 por ampla maioria, alegando uma fraude na votação.

 

A Comissão Eleitoral, muito próxima ao regime militar, afirmou que a investigação está quase concluída.

 

Aung San Suu Kyi, vencedora do Prêmio Nobel da Paz em 1991 por sua longa luta contra as anteriores ditaduras militares, está entre as mais 4.000 pessoas detidas desde o golpe.

 

Acusada seis vezes desde sua detenção, ela enfrenta várias acusações, que vão de posse ilegal de walkie-talkies até incitação da desordem pública e violação de uma lei de segredo de Estado.

 

Se for considerada culpada, ela pode ser banida da política e condenada a vários anos de prisão.

 

A próxima audiência está programada para 7 de junho, indicou Min Min Soe, que também se reuniu com o ex-presidente Win Myint, detido ao mesmo tempo que Aung San Suu Kyi.

 

 

Mianmar enfrenta um cenário de caos desde o golpe de Estado, com manifestações e greves que paralisam a economia.

 

A rebelião é reprimida com violência pelas forças de segurança, que nos últimos meses mataram pelo menos 818 civis, incluindo mulheres e menores de idade, segundo a Associação de Apoio aos Presos Políticos (AAPP).

 

Dezenas de milhares de birmaneses também foram obrigados a fugir ante os confrontos entre o exército e as milícias étnicas, muito ativas no país.

 

No domingo foram registrados combates intensos entre os militares e uma facção, o Partido Nacional Progressista Karenni (KNPP), com sede no estado de Kayah (este).

 

O exército utilizou helicópteros e tanques contra os insurgentes, lançou morteiros e os combates prosseguiram até a noite, segundo uma fonte do KNPP.

 

Quatro pessoas que estavam refugiadas em uma igreja morreram nos bombardeios, segundo um porta-voz de um grupo local que coordena as retiradas.

 

A violenta repressão do exército motivou os opositores da junta militar a formar a Força de Defesa do Povo (PDF), integrada por civis que usam armas de fabricação caseira.

 

Ao menos 30 militares e policiais morreram no fim de semana em confrontos com as PDF no leste do país, de acordo com fontes do grupo que pediram anonimato.

 

Ao mesmo tempo, o líder da junta, Min Aung Hlaing, permanece à frente do país.

 

Questionado sobre seus planos pelo canal Phoenix de Hong Kong, ele respondeu "não tenho ideia".

 

Mas a imprensa local afirmou que o regime suprimiu o limite de idade para a aposentadoria dos generais, o que significa que ele poderá continuar no cargo depois de completar 65 anos em julho.

 

Min Aung Hlaing afirmou que desde o golpe morreram apenas 300 civis e 47 policiais.


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