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Manifestação em Fortaleza expõe racha entre bolsonaristas e MBL

Antes aliados, MBL e grupos bolsonaristas começaram atos separados. Manifestação na Praça Portugal teve disputa com paredão

01/07/2019 03:13:49
MANIFESTANTES do Endireita Fortaleza levaram faixa
MANIFESTANTES do Endireita Fortaleza levaram faixa "Fora MBL" (Foto: Deisa Garcêz)

O ato de apoio ao presidente Jair Bolsonaro (PSL) e ao ministro Sergio Moro em Fortaleza expôs um racha entre o Movimento Brasil Livre (MBL) e o grupo bolsonarista Endireita Fortaleza, que realizaram protestos simultâneos na Praça Portugal ontem.

De um lado do espaço, o MBL e o PSL mantiveram paredão de som ligado até pouco depois das 16 horas. Do outro, lideranças que integram a Frente Cearense pelo Novo Brasil se revezavam num trio elétrico. Entre elas, estavam representantes do Conexão Patriota, Consciência Patriótica, Movimento Brasil Conservador, Movimento Ordem e Progresso e Brasil Indignado.

A disputa sonora era a parte visível de uma desavença aberta entre as entidades que marcharam juntas em 2016 a favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), mas que agora estavam afastadas. No centro da discórdia está a defesa de Bolsonaro. Membros do Endireita acusam o MBL de "traição".

Um deles é Leonardo Tote. Estudante de Direito, o jovem diz que "houve um rompimento desde o dia 26", referindo-se ao último evento pró-Bolsonaro no País, ainda em maio. "O maior ato de traição que o MBL fez com a gente foi nesse dia, porque não compareceram às manifestações e ainda inventaram fake news dizendo que uma das pautas era o fechamento do Congresso."

Coordenador do MBL no Ceará, Carmelo Neto rebate a crítica. "Me acusam de dono da manifestação, mas quem se comporta como dono são eles. Eu não quero dividir ninguém. Quero unir, sou da paz", respondeu.

Ainda que a paz política não tenha reinado na praça ontem, os grupos chegaram a um acordo para que apenas um dos equipamentos continuasse funcionando. Convencido a ceder, o MBL desativou seu paredão e enviou representantes para falar no trio do Endireita. Mas sem exibir suas bandeiras.

Apesar das divergências, Carmelo e Tote consideraram o ato na capital cearense um sucesso. "Foi um recado importante, as pessoas estão apoiando nosso ministro, nosso presidente e as pautas do governo, como o pacote anticrime e a reforma da Previdência em R$ 1 trilhão", disse o coordenador do MBL. "Embora a gente tenha tido o problema com o som gigante do MBL, foi muito bom", completou Tote.

Além da divisão entre os grupos, outra queda de braço marcou o protesto, mas dentro do PSL. Deputados estaduais da sigla, André Fernandes e Delegado Cavalcante compareceram ao evento. No trio, discursaram a favor de Bolsonaro.

Durante pronunciamento de Fernandes, porém, o paredão do MBL foi novamente acionado, agora para abafar a fala do pesselista, que entrou com pedido de afastamento do deputado federal Heitor Freire do comando da legenda no Ceará.

Questionado, o deputado evitou comentar o assunto. "Viemos aqui para apoiar o pacote anticrime, o decreto do porte de armas e todas as medidas do governo de Jair Messias Bolsonaro", sintetizou.

PSL

Também presente ao ato na Praça Portugal, o deputado estadual Delegado Cavalcante (PSL) discursou no trio elétrico. Da bancada do partido, apenas o presidente, deputado federal Heitor Freire, não falou

"Mais Moro e menos Lula"

Usando camiseta com os dizeres "In Moro we trust" ("Em Moro nós confiamos"), o ex-presidente do Novo, Geraldo Luciano, participou do ato de ontem na Praça Portugal.

No trio elétrico, o potencial prefeiturável agradeceu o convite feito pelo Endireita Fortaleza para participar do evento. "Pra mim é uma honra muito grande estar aqui", disse.

"Antes de falar sobre reforma da Previdência, queria falar para vocês que o Brasil precisa de mais Moro e menos Lula", discursou. Geraldo só deixaria o trio após a chegada do deputado estadual André Fernandes (PSL). (Henrique Araújo)

Atos pelo Brasil

São Paulo

O ato ocupou quatro quarteirões da Avenida Paulista com espaços em alguns setores. A atriz Regina Duarte participou desta manifestação.

Brasília

O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno, e o deputado Eduardo Bolsonaro, participaram dos atos. A Polícia Militar não divulgou a estimativa de público.

Rio

O ato ocupou cerca de seis quadras da Avenida Atlântica, em Copacabana. O público foi estimado em 10 mil pessoas pela Polícia Militar.

Pará

Em Belém, os manifestantes se concentram na avenida Nazaré, área central da capital paraense. O protesto foi organizado pelos movimentos Direita Jovem Pará, Endireita Pará e Vem pra Rua.

Pernambuco

No Recife, o ato em defesa do ministro Sérgio Moro foi realizado na Avenida Boa Viagem. Segundo a organização entre 10 e 15 mil pessoas participaram do ato. A PM não fez estimativa.

Rio Grande do Sul

Mesmo sob uma chuva intensa e temperatura de 16 graus, manifestantes ocuparam a Avenida Goethe, em frente ao Parcão, em Porto Alegre.

Henrique Araújo

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