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Mensagens revelam "colaboração" de Moro com Dallagnol, diz site

| Lava Jato | Site The Intercept revela conversas privadas entre Moro e Dallagnol sobre passos da operação que resultou na prisão de Lula. Ex-juiz nega ter ferido a ética

10/06/2019 05:24:41
DELTAN DALLAGNOL teria recebido orientação de Moro
DELTAN DALLAGNOL teria recebido orientação de Moro (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasi)

Série de quatro reportagens do site "The Intercept" no Brasil revelou ontem suposta troca de mensagens entre o então juiz federal Sergio Moro e o coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato no Ministério Público Federal (MPF), Deltan Dallagnol.

Nas conversas, o ex-magistrado aparece orientando etapas da apuração que desbaratou esquema de corrupção na Petrobras. Moro também consulta o procurador da República sobre procedimentos a tomar na investigação que resultou na prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no caso do triplex do Guarujá.

Os arquivos remontam a 2015, quando Dilma Rousseff (PT) ainda presidia o Brasil e tentou nomear Lula para a Casa Civil, e se estendem até o ano passado, quando o petista já estava preso.

Os áudios, que teriam sido repassados ao site por uma fonte anônima, são reproduções de diálogos no aplicativo de mensagens instantâneas Telegram. Segundo o The Intercept, elas contêm diálogos em vídeo e áudios, a serem publicados numa etapa posterior.

Num dos trechos exibidos pelo veículo, membros da equipe do MPF discutem uma forma de barrar a entrevista do ex-presidente à jornalista Mônica Bergamo, da "Folha de S. Paulo", autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, em meio à disputa eleitoral.

Em nota publicada na noite desse domingo, Sergio Moro negou as acusações de que interferiu nas investigações conduzidas pela Lava Jato. "Quanto ao conteúdo das mensagens que me citam", disse o hoje ministro da Justiça de Bolsonaro, "não se vislumbra qualquer anormalidade ou direcionamento da atuação enquanto magistrado".

Moro considerou também que as conversas foram "retiradas de contexto", e apontou "sensacionalismo das matérias, que ignoram o gigantesco esquema de corrupção revelado pela Operação Lava Jato".

O ministro cobrou então a revelação da identidade de quem invadiu os aparelhos telefônicos do ex-juiz e de integrantes da força-tarefa no MPF. "Lamenta-se a falta de indicação de fonte de pessoa responsável pela invasão criminosa de celulares de procuradores", escreveu. "Assim como a postura do site, que não entrou em contato antes da publicação, contrariando regra básica do jornalismo."

O MPF também se manifestou sobre o caso ontem. Em nota, a instituição afirmou que "seus membros foram vítimas de ação criminosa de um hacker que praticou os mais graves ataques à atividade do Ministério Público, à vida privada e à segurança de seus integrantes".

O texto segue informando que a "violação criminosa das comunicações de autoridades constituídas é uma grave e ilícita afronta ao Estado e se coaduna com o objetivo de obstar a continuidade da Operação, expondo a vida dos seus membros e famílias a riscos pessoais".

Integrantes do MPF asseguram, no entanto, que os "procuradores mostram tranquilidade quanto à legitimidade da atuação, mas revelam preocupação com segurança pessoal e com falsificação e deturpação do significado de mensagens".

A nota acrescenta ainda que "ninguém deve ter sua intimidade - seja física, seja moral - devassada ou divulgada contra a sua vontade".

A Polícia Federal investiga o vazamento das informações e a invasão dos aparelhos de telefone dos citados nos diálogos. (Henrique Araújo)

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Lula

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