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Em visita à Argentina, Bolsonaro reforça aliança com Macri

| BUENOS AIRES | Brasileiro criticou Cristina Kirchner poucos meses antes da eleição argentina e tratou como "iminente" acordo entre Mercosul e UE

07/06/2019 01:32:10
BOLSONARO presenteou Macri com um boné e uma camisa da seleção brasileira no encontro na Casa Rosada
BOLSONARO presenteou Macri com um boné e uma camisa da seleção brasileira no encontro na Casa Rosada (Foto: Juan MABROMATA / AFP)

Jair Bolsonaro (PSL) desembarcou em Buenos Aires na manhã de ontem em sua primeira visita oficial ao país. O presidente brasileiro foi recebido por Mauricio Macri na Casa Rosada, sede do governo, às vésperas do início do processo eleitoral argentino.

A chegada de Bolsonaro foi marcada por um discurso inaugural, em que reforçou a aliança com Macri e pediu a "razão", e não a "emoção", do povo argentino na hora de votar nas eleições presidenciais, que ocorrem em outubro deste ano. Em mais de uma ocasião, Bolsonaro criticou a ex-presidente Cristina Kirchner. A antecessora de Macri anunciou no última dia 18 de maio que concorre como vice na chapa encabeçada por Alberto Fernandéz.

Doutor em Ciências Políticas e professor do Instituto Federal do Ceará (IFCE), Rodrigo Santaella critica os posicionamentos de Bolsonaro. Segundo ele, o presidente brasileiro estaria quebrando "tradição das relações internacionais" brasileiras em que o chefe de Estado não interfere nas eleições de outros países.

Em caso da derrota de Macri nas eleições de outubro, de acordo com Santaella, as novas relações Brasil-Argentina entrariam em conflito pelas críticas de Bolsonaro à oposição do governo argentino. "O presidente está estabelecendo relações com Governos e não com Estados", ressalta.

No discurso de ontem, Bolsonaro ressaltou "preocupação da América do Sul" para que não haja "novas Venezuelas" na região, posicionamento defendido também pelo presidente argentino.

O brasileiro tratou ainda como "iminente" um acordo entre Mercosul e União Europeia (UE). "Todos nós ganharemos com isso: Brasil, Argentina e demais países desse bloco", disse Bolsonaro. Macri também reforçou a proximidade do fechamento do acordo e ressaltou a possibilidade de compromissos com Canadá e Coreia do Sul.

Para a professora Mônica de Almeida, especialista e mestre em Comércio Exterior, Bolsonaro tem feito relações paralelas antes de sua visita à Argentina, o que pode ter criado "animosidade". Ela ressalta que o presidente não tem o apoio popular do povo argentino, mas que percebe posição positiva de sua parte sobre o crescimento do bloco, o que poderia melhorar sua imagem frente à Argentina.

As negociações sobre o acordo de livre comércio entre Mercosul e UE já duram 20 anos, e pretendem diminuir ou zerar as tarifas de importações entre os países dos blocos. A professora destaca que a "demora" do fechamento do acordo acontece porque é preciso encontrar unanimidade entre os países da América do Sul. "A negociação só segue se a Argentina estiver muito próxima ao Brasil em relação a esses acordos, porque ela é um dos maiores parceiros do País", declara.

A questão dos direitos humanos também esteve em pauta. Segundo Macri, em reunião de trabalho Brasil e Argentina ratificaram "compromisso com a defesa de direitos humanos e o combate ao tráfico". "Também falamos do compromisso que temos com a democracia, nesse duro momento que estão vivendo os venezuelanos Faremos todo o possível para ajudar a restabelecer a democracia", disse. (com agências)

MERCOSUL

A Argentina detém a presidência pro tempore do Mercosul, que também inclui o Paraguai e o Uruguai, e deve transferi-lo para o Brasil em uma cúpula em meados de julho.

 

VIAGENS

Bolsonaro viajou com a esposa, Michelle Bolsonaro, que participa pela 1ª vez de uma viagem internacional. No exercício do mandato ele já havia viajado para Suíça, Estados Unidos (duas vezes), Chile
e Israel

RELAÇÕES

O Brasil é o 1º parceiro comercial da Argentina, que por sua vez é a 3ª do Brasil. Em 2018, o intercâmbio comercial entre os dois países alcançou os US$ 26,002 bilhões, com um superávit brasileiro de US$ 3,9 bilhões.

Natália Coelho

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