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Caixa reduz juros dos financiamentos imobiliários e iguala taxas de SFH e SFI

| Estímulo ao mercado | O banco ainda divulgou condições para renegociação de dívidas imobiliárias de pessoas físicas, o que atinge cerca de 600 mil famílias

06/06/2019 00:55:19

A Caixa Econômica Federal anunciou ontem corte nos juros dos financiamentos imobiliários, com entrada em vigor a partir do dia 10 de junho - próxima segunda-feira. A maior taxa praticada pelo banco caiu de 11% Taxa Referencial (TR, atualmente em zero) para 9,75% TR. Já a menor - paga pelos clientes que já têm relacionamento com a instituição - foi reduzida de 8,75% TR para 8,5% TR. A avaliação do mercado imobiliário é que a ação é um sinal positivo em prol do reaquecimento da economia.

Outra medida foi a unificação das taxas praticadas nos empréstimos do Sistema Financeiro de Habitação (SFH) e do Sistema Financeiro Imobiliário (SFI), voltado para imóveis com valor acima de R$ 1,5 milhão que não podem ser financiados com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

Presidente da Caixa, Pedro Guimarães pontua que a redução das taxas de juros do crédito imobiliário facilita o acesso à casa própria. "Além de ampliar a oferta de crédito imobiliário em condições competitivas de mercado, a redução dos juros demonstra nosso compromisso com as melhores condições de financiamento para as pessoas e colabora para a retomada de investimentos no setor, com a criação de empregos, mais renda e aquecimento da economia".

As medidas animaram o presidente do Sindicato das Construtoras Ceará (Sinduscon-CE), André Montenegro. Isso "mostra que a Caixa está acreditando que o mercado vai reagir". "As construtoras estão com os projetos em prateleira aguardando a concretização desses sinais positivos para iniciar obras e realizar os lançamentos", acrescenta. Já o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Martins, avalia o corte de juros como "um bom início para a retomada do setor".

Em relação a quem sentiria o impacto, o economista Alex Araújo considera que a classe média deve ser beneficiada com a redução dos juros das modalidades. "As duas reduções impactam operações que tem como funding a poupança e, esses valores do SFI, que abarcam maiores valores, tinham taxas mais elevadas em função do risco da operação. O mercado, com a queda da taxa de juros Selic e a queda da remuneração da poupança buscava se ajustar e a Caixa entra com propósito de balizar a taxa praticada no mercado".

Para o economista e membro do Conselho Federal de Economia (Cofecon), Henrique Marinho, se atingir objetivo de aquecer o mercado imobiliário, a redução de taxas deve gerar muitos empregos na construção civil e setores que trabalham em paralelo.

Ele acrescenta que a tendência é que o mercado acompanhe a decisão da Caixa em futuro próximo no sentido de também reduzir as taxas de juros das modalidades, mas ainda projeta que a absorção por parte dos consumidores deve ocorrer de forma mais lenta devido aos níveis de desemprego e inadimplência.

Ontem, a Caixa Econômica também divulgou as condições para a renegociação de dívidas imobiliárias de pessoas físicas. Segundo o banco, as medidas atingem cerca de 600 mil famílias e devem beneficiar 2,3 milhões de pessoas. Em alguns contratos, pode haver perdão de multas.

Há ainda a possibilidade de usar o saldo do FGTS para reduzir o valor das prestações, além da mudança da data de vencimento das parcelas. Os clientes poderão ainda buscar as agências do banco para tentar um acordo. O fato é que, com as medidas, a expectativa é que outros bancos também sigam a tendência de corte nas taxas. (Com Agência Estado)

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Concurso

O presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, anunciou a contratação de mil pessoas que já passaram em concurso ainda em 2014 para trabalharem nas agências do banco. Entre 50% e 75% dos chamados serão candidatos com algum tipo de deficiência.

SAMUEL PIMENTEL

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