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Reaproveitar resíduos ainda é desafio para setores

| LOGÍSTICA REVERSA | Construção civil reutiliza pequena parte de seus resíduos, priorizando menor produção de detritos. Política Nacional busca rever conceitos no mercado

28/05/2019 00:15:46
O PRESIDENTE da Arce, Fernando Franco, discursou na abertura do seminário
O PRESIDENTE da Arce, Fernando Franco, discursou na abertura do seminário (Foto: Arce/Divulgação)

A discussão de como empresas e governos devem se portar diante da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PRNS), de 2010, está em pauta no mercado. A destinação do lixo ainda é desafio para empresas, como as do setor de construção civil no Ceará. Apesar da legislação, não existem projetos concretos visando a logística reversa para reaproveitamento de detritos gerados nos canteiros de obras.

Segundo o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon-CE), André Montenegro, apesar de considerar importante a logística reversa, ela é implementada no setor em último caso, levando em consideração estudos do setor, que elegem outra prioridade.

"As empresas são responsáveis pelos seus resíduos e o desafio da construção civil é não gerar resíduo. Quando gerado, a iniciativa é tentar reciclar. Não reciclando, faz-se a logística reversa ou destinação ao local apropriado", explica.

Engenheiro civil especialista em Direito Ambiental e Saneamento e Controle Ambiental, Mansour Daher diz que, assim como no Ceará, em outros mercados no País, em geral, a logística reversa e a reciclagem "ainda são tímidos". "Abaixo de 5% do total de lixo gerado na construção civil local. Os destinos mais comuns têm sido os aterros sanitários, enquanto poderiam ser reutilizados pela indústria", diz ele, que possui estudos sobre o tema.

Entre 2007 e 2014, a quantidade de pontos de lixo nas ruas da Capital saltou 300%. Segundo a Prefeitura, os entulhos gerados pela construção civil geraram, em 2014, 30 mil toneladas de detritos. O engenheiro acredita que pode chegar de 100 mil a 120 mil toneladas se forem contados todos os descartes, até mesmo os que foram para aterros regulares e não passaram por reciclagem ou reaproveitamento.

O reaproveitamento de outros resíduos também é deficitário. Criada em outubro de 2016, a Reciplanet, que transforma pneus usados em chips, teve os negócios diminuídos depois que a quantidade de matéria-prima caiu. O proprietário da usina, Wytalon Araújo, revela que o maquinário só funciona em dois dias na semana por falta de material.

Problemas como os relatados estão sendo discutidos no Seminário Política Nacional de Resíduos Sólidos, promovido pelo Instituto Future, Fundação de Cultura de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Extensão (Funcepe) e Agência Reguladora do Estado do Ceará (Arce).

Enid Câmara, coordenadora do Instituto Futura, explica que o seminário deste ano é pautado no serviço de orientar gestores públicos e privados sobre a correta destinação do lixo. "Há seis anos temos discutido com os gestores como avançar, pois a Lei considera uma questão de saúde pública".

 

Saiba mais

Natura, Avon, Boticário, Coca-Cola, Nestlé e Unilever seguem a tendência. No Ceará, o Grupo O POVO tem Certificação Florestal (Ceflor) para o uso do papel na impressão do jornal. Há coleta das cápsulas de alumínio e plástico de café Três Corações, no Espaço O POVO de Cultura & Arte.

A Cervejaria Ambev ampliou o número de garrafas de vidro retornáveis, que podem ser reutilizadas cerca de 20 vezes.

Esta é a continuação da reportagem sobre logística reversa no O POVO, do domingo, 26.

 

Serviço do Seminário Política Nacional de Resíduos Sólidos

Quando: até hoje, às 12h30min

Local: CDL-Fortaleza

Programação: "Discutindo Resíduos", às 8h30min/ "Proodução de combustível a partir de resíduos", às 9h35min / Pitch "Ecoss" / "Como estruturar a gestão de resíduos sólidos", às 11h

 

SAMUEL PIMENTEL