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Nordeste é prova para Bolsonaro

01:30 | 24/05/2019
Presidente Jair Bolsonaro
Presidente Jair Bolsonaro

Em primeira passagem pelo Nordeste desde que tomou posse, Jair Bolsonaro (PSL) será recebido hoje em Recife por um caixão em chamas. Não, não é uma metáfora: estudantes da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) prometem, de fato, tocar fogo em uma urna cadavérica na frente do local onde o presidente cumprirá agenda. O protesto retrata bem o simbolismo por trás da visita de Bolsonaro, que até agora vinha viajando apenas para estados e países alinhados com suas posições ideológicas. Por aqui, o cenário é bem diferente.

É só olhar os números: entre os nove estados do Nordeste, oito são governados por partidos de oposição ao Planalto. É também por aqui que Bolsonaro tem a pior avaliação nas pesquisas, com 39% dos nordestinos avaliando o governo como ruim ou péssimo no último levantamento do Datafolha (a média nacional é de 30%). Derrotado por Fernando Haddad (PT) em todos os estados da região, o presidente também conta nos dedos os aliados que possui por aqui, território que deu mandatos para vários dos mais ativos opositores do governo no Congresso.

E é aí que mora o principal desafio do governo. Vindo de semanas marcadas pela má-comunicação e total inabilidade no trato com o Congresso, o presidente tem agora uma oportunidade de ouro (complexa, claro, mas ainda assim uma oportunidade) de se mostrar um homem público, com capacidade de dialogar com adversários. Em seu primeiro evento da agenda, se reunirá com governadores que, três dias antes, assinaram carta condenando decreto de facilitação do porte de armas assinado pelo presidente.

É óbvio que Bolsonaro será recepcionado em Recife e Petrolina, as duas cidades em sua rota, por uma multidão de apoiadores. Mesmo em minoria, tropa do 17 na Nordeste sempre foi bastante articulada. No discurso, deve falar que a região sempre foi prioridade e fazer a obrigatória deferência ao sogro "Paulo Negão", natural de Crateús. Todas as tentações da polarização, portanto, estarão presentes. Será que o presidente conseguirá, ao menos desta vez, encostar os ataques e as provocações improdutivas em prol de uma agenda pelo País?

Duvido muito, mas cada um pode apostar como quiser.

"É a governabilidade, estúpido"

Nas últimas semanas, tem sido comum ouvir gente dizendo que o presidente está certo em não lidar com o Congresso. Geralmente, o que sustenta o argumento é a tese de que os deputados são quase todos criminosos, interessados mais em montar esquemas de chantagem e corrupção do que com o futuro do País. Um discurso autoritário, que nunca era usado por esse pessoal quando era Dilma Rousseff (PT) que passava por maus bocados no parlamento. Ou os deputados que "impeachmaram" a petista também só o fizeram porque eram corruptos?

Mas vá lá, suponhamos que a tese seja verdadeira. Ainda assim, é o Congresso que debate e vota leis que ditam os rumos do governo. A alternativa seria embarreirar ou até fechar as Casas, algo que em muito lembra o tão criticado Nicolás Maduro. Não adianta dizer que já mandou para o Legislativo e lavar as mãos: caso insista em falar mais para fieis das redes sociais, Bolsonaro seguirá em sua agenda de derrotas seguidas no parlamento e estagnação econômica. E a chance de hoje pode ser uma das últimas que o presidente terá.

Camilo corta cargos

Apenas no último mês, o governador Camilo Santana (PT) cortou 59 cargos comissionados da estrutura administrativa do Estado. A ação segue política do governo em reduzir gastos diante do cenário negativo na economia. O curioso é que os cortes acontecem principalmente em pastas de grande peso no governo, como a Casa Civil (que perdeu 13 cargos) e Secretaria da Educação (com 38 a menos). Pelo visto, novos cortes devem continuar acontecendo.

 

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