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Oposição retoma o poder em eleição com clima de indiferença

| CASCAVEL | Filho do ex-prefeito Tino Ribeiro, Tiago Ribeiro (PPS) foi eleito ontem para mandato "tampão" até 2021 após cassação de prefeita

06/05/2019 02:23:05
CASCAVEL, CE, BRASIL,05-05-2019:eleitores desobedecem lei seca. Eleições municipais em Cascavel.  (Foto: Fabio Lima/O POVO)
CASCAVEL, CE, BRASIL,05-05-2019:eleitores desobedecem lei seca. Eleições municipais em Cascavel. (Foto: Fabio Lima/O POVO) (Foto: Fabio Lima/Fabio Lima)

Em eleição suplementar marcada por tranquilidade e pouco interesse da população, Cascavel - Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) - elegeu ontem Tiago Ribeiro (PPS) prefeito "tampão" do município com 41,8% dos votos. Com mandato só até dezembro do ano que vem, Tiago assume o cargo após a ex-prefeita Ivonete Queiroz (PDT) ter mandato cassado na Justiça.

A vitória do candidato do PPS marca a volta da família Ribeiro, historicamente ligada à oposição de Cascavel, ao comando do município após quase dez anos de governo do clã Queiroz. Eleito com 16,5 mil votos, Tiago é filho do ex-prefeito Tino Ribeiro (2001-2008) e teve apoio do PT. A candidata apoiada pela ex-prefeita cassada, Paulinha Dantas (PTB) obteve 12,4 mil votos (31,4%).

Apesar do acirramento entre velhos adversários, clima em Cascavel era de indiferença com a disputa. Pela manhã, era pequeno o movimento na escola profissionalizante Edson Queiroz, um dos principais pontos de votação da cidade. Além do próprio descrédito com a política, eleitores ouvidos pelo O POVO questionavam duração do mandato decidido ontem.

"Quem ganhar vai ter um tempo muito pequeno, mal um ano. Não vai dar para fazer nada", diz o empresário Valdecir Medeiros, 36. A falta de eleição de vereadores foi outro fator de desinteresse apontado pelos eleitores de Cascavel. "Quem puxava muito a disputa era a eleição da Câmara. Sem isso, deu uma esfriada", diz o mototaxista Élisson Freitas, 31.

No Mercado Central de Cascavel, eleitores abordados pelo O POVO desconheciam até mesmo que o voto na eleição suplementar era também obrigatório. "E tem que votar? Deixe de história", brincou um comerciante de peixes. Mesmo com Lei Seca decretada durante o dia, a reportagem flagrou várias pessoas comercializando e consumindo bebidas alcoólicas com tranquilidade em ruas próximas ao centro da Cidade.

Em entrevista no início da tarde, a juíza responsável pelo pleito, Leopoldina Fernandes, destacou também grande reforço de forças de segurança na garantia da tranquilidade da eleição. Além de 160 homens da Polícia Militar, o município recebeu ainda apoio de equipes da Polícia Civil, do Ministério Público e da Polícia Federal.

"As ocorrências que tivemos são as que a gente já têm normalmente. Só algumas denúncias de problemas com fiscais, transporte irregular de eleitores, mas tudo muito tranquilo e na normalidade", diz a juíza.

Além disso, também chamou a atenção grande limpeza da Cidade durante o pleito. Normalmente muito comuns nas disputas municipais, santinhos e carros de som foram "abolidos" em acordo firmado entre os próprios candidatos. "A ideia era reduzir custos", explica Leopoldina Fernandes.

A ex-prefeita Ivonete Queiroz e o vice, Waltemar Matias (PDT), tiveram o mandato cassado em janeiro por abuso de poder político. Segundo decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-CE), os dois teriam contratado número excessivo de servidores temporários para obter benefícios na disputa de 2016, quando foram reeleitos.

No lugar dela, assumiu o presidente da Câmara, Sebastião Uchoa, que já trabalhou como motorista de Ivonete antes de entrar na vida política.

Além de Tino Ribeiro, apenas um outro prefeito não ligado à família Queiroz - Dr. Décio (PT) - concluiu mandato na Prefeitura de Cascavel desde a redemocratização. O PSL, sigla do presidente Jair Bolsonaro, ainda tentou emplacar candidatura do empresário Zé de Lima (PV), que acabou em terceiro lugar com 26,7% dos votos.

Tanto Tiago Ribeiro quando Paulinha Dantas já haviam disputado, sem sucesso, a Prefeitura de Cascavel. Ao todo, 43,4 mil dos 52,4 mil eleitores do município compareceram às urnas para a votação.

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Esta foi a 6ª eleição suplementar feita no Ceará em menos de um ano. Além de Cascavel, Tianguá, Frecheirinhaas, Umari, Santana do Cariri e Croatá tiveram que substituir gestores eleitos em 2016.

 

Carlos Mazza

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