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"Ciro tem de disputar grupos com o PT", avalia estudioso

Análise

03/05/2019 01:37:16

Cientista político pela Universidade de Fortaleza (Unifor), Clésio Arruda entende que se Ciro quer se capitalizar como o primeiro nome do eleitorado à esquerda, tem de disputar com o PT, por exemplo, a preferência de movimentos sociais, frente sindicais e grupos ligados à Igreja Católica. Inclusive estando presente em encontros ou manifestações em que lideranças petistas também estejam.

O contrário disso, entende o professor, é uma guinada à centro-direita ou, no mínimo, ao esquecimento por parte dos grupos citados.

"Isso (ausência) significa o afastamento do movimento dos trabalhadores, significa um afastamento do trabalhismo do qual se origina o PDT e remonta a Brizola, Getúlio, Juscelino, aqueles que constituíram tradição histórica", resgata o professor.

Arruda diz que Ciro tem de resgatar a força que ex-governador do Rio de Janeiro e também candidato derrotado à Presidência, Leonel Brizola, deixou para a sigla de legado. "O PDT se divide em antes e depois de Brizola. Caberia a Ciro Gomes retomar isso".

Aparece como empecilho a Ciro e à maioria das legendas brasileiras a penetração de "oportunistas", diz Arruda. Isto é, a "penetração de novos filiados" que buscam apenas sucesso eleitoral, deixando a identificação política e ideológica em segundo plano.

Para o professor, sobretudo após o revés petista no ano passado, caberá ao ex-ministro da Fazenda traçar o rumo do PDT no espectro político, além do caminho que a sigla trilhará até 2022. (Carlos Holanda)

 

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