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Exclusão de Maracanaú de programa federal gera briga na Assembleia e deputada chega a passar mal

Oposição acusa governo Camilo de fazer "politicalha" e agir com "pequenez" contra município governado por adversário. Fernanda Pessoa chegou a passar mal durante debate.

03/04/2019 02:50:49
Fernanda Pessoa cobrou que Júlio César, que disputa votos com ela em Maracanaú, entregue liderança do governo.
Fernanda Pessoa cobrou que Júlio César, que disputa votos com ela em Maracanaú, entregue liderança do governo. "Ora, eu sou mais maracanauense que ela, eu nasci e me criei lá. Ela chegou lá para ser deputada, e na fazenda do pai dela, no distrito em que ele tinha uma granja", reagiu ele (Foto: PAULO ROCHA/ASSEMBLEIA LEGISLATIVA)

Deputados usaram a tribuna da Assembleia Legislativa do Ceará, nesta terça-feira, para discutir a exclusão de Maracanaú da lista de cinco municípios do País que seriam contemplados por projeto-piloto de Segurança do ministro Sergio Moro. A cidade teria perdido espaço para Paulista, em Pernambuco.

Ao passo que a oposição, representada por Fernanda Pessoa (PSDB) e Heitor Férrer (SD), atribuiu culpa ao governador do Ceará, Camilo Santana (PT), o líder do Governo, Júlio César Filho (PPS), jogou dúvidas sobre os procedimentos adotados pelo secretário nacional de Segurança Pública (Senasp), Guilherme Theophilo.

Segundo Férrer, a derrota de Maracanaú representa triunfo da "politicalha" exercida por Camilo. Opina que o Estado não quis Maracanaú entre as cidades por dois motivos: Theophilo não ter ido à reunião do último dia 12, na SSPDS - quando Maracanaú teria sido escolhida - e a cidade ser reduto de opositores. "É pequenez".

Fernanda teve pico de pressão após disparar contra Camilo e Júlio César da tribuna da Casa. Alega que a cidade deixou a lista federal após o chefe do Executivo ter faltado a reunião - representou o Governo o secretário de Segurança André Costa. Ela alega ainda que o representante federal que esteve em Fortaleza, secretário-adjunto da Senasp, Fernando Almeida Riomar, bateu a porta do Palácio da Abolição, mas não foi recebido pelo governador.

A parlamentar informou ainda que solicitará reunião em Brasília com o General Theophilo, Moro, César e outros deputados que queiram ir. Isto, diz, "para ver quem está mentindo".

Dirigindo-se a César, a tucana pediu que o deputado deixasse a liderança do Governo. Para ela, o parlamentar, que é de Maracanaú, não demonstrou compromisso com a cidade. César, por sua vez, diz que Fernanda é acostumada a este tipo de discurso. "Já pediu demissão de secretário de Estado, renúncia de governador, agora pede para eu entregar a liderança, distorcendo minha fala".

Ainda rebateu: "Ora, eu sou mais maracanauense que ela, eu nasci e me criei lá. Ela chegou lá para ser deputada, e na fazenda do pai dela, no distrito em que ele tinha uma granja".

Segundo César, caso Camilo tivesse demonstrado má-vontade, o que diz não ter havido, Theophilo, mesmo assim, poderia ter empreendido esforços para manter Maracanaú nos planos de Moro. Diz não saber a razão da ausência. Assim, protocolou requerimento para envio de ofício ao titular da Senasp, para que "os verdadeiros motivos que levaram a abandonar a ideia" sejam elucidados. Segundo ele, nenhum documento oficial de Theophilo foi enviado e conversas informais não se sustentam.

O Ministério da Justiça, pasta à qual está ligada a secretaria de Theophilo, em nota ao O POVO, sugere que o entrevero não tem razão de existir. "O projeto ainda está sendo elaborado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. Ainda não há definição sobre os municípios que farão parte do projeto", limita-se a afirmar.

Carlos Holanda

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